Fui o pior vendedor de DIM-DIM do mundo

Antes dos dez anos de idade, a coisa com a qual eu mais gastava minha grana era videogame. Qualquer trocado que eu conseguia era imediatamente torrado em uma ou duas horas numa Lan House de computadores e PS1/2. Naturalmente, esse dinheiro vinha sempre do meu pai, da minha mãe, de algum tio ou qualquer coisa do tipo, mas um dia me surgiu uma ideia que poderia me livrar dessa dependência familiar: vender dim-dim. Eu sei que o nome muda em cada lugar do país, mas estou falando disso:

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Empreendimento milionário, como pode imaginar.

Comprei lá o material necessário pra fabricar o produto. Paguei R$ 2,50 no dim-dim em sí, se me lembro bem. Fora isso, arrumei uma caixa de isopor, preparei tudo e fui no lavador de carros/bar ao lado da minha casa vender o tal dim-dim para as centenas de pessoas que passavam por lá diariamente.

O primeiro dia foi um sucesso e não ocorreu nenhum problema. O complicado, mesmo, foi no segundo dia… Cheguei lá no lavador, já conhecido como “O menino que vende dim-dim” e tentei fazer meu negócio. O fato marcante desse dia é que um dos senhores comprou TODOS os dim-dims. Estava no local para vender meu produto e conseguir dinheiro, mas um velho me pagou e levou todos de uma vez só!

Logicamente, eu comecei a chorar e corri para o meio do matagal que ficava do outro lado da minha casa. Fiquei escondido lá por uns bons quarenta minutos, engasgando no choro. Lembro que até ouvia várias pessoas me procurando, gritando meu nome e tudo mais, quando meu pai saiu derrubando aqueles matos na base do chute e me achou lá no meio, chorando. Todo mundo me perguntando porque eu estava daquele jeito, qual era o grande problema em ter vendido todos os dim-dims de uma vez só…

Pra mim a resposta parecia óbvia, mas aparentemente só pra mim, mesmo. Como será que aquele pessoal não notou que se o senhor comprou tudo que eu tinha, eu consequentemente fiquei sem mais nada pra vender?