Um pouco sobre meu pai

Num post aí eu havia dito isso:

Até teve uma época em que eu alternava, ficava um dia com meu pai e outro com minha mãe, mas foi um período curto porque depois disso meu pai foi preso e tá lá até hoje, vez em quando ele sai, faz uma cagada e volta a ver o sol nascer quadrado. Tenho um milhão de histórias FODAS com ele, mas por sinal vou ter que esperar ele morrer pra contar pros outros.

Então, decidi escrever um pouquinho sobre ele. Lendo a passagem fica subentendido que muitas histórias eu não posso contar, mas o cara é uma figura tão excêntrica que eu me sinto na obrigação de falar algo aqui, por menor que seja.

O interessante é contar a história de trás pra frente, quer ver? Mês passado ele táva em regime semi-aberto (pode sair pra trabalhar mas volta pra dormir na cadeia, coisas desse tipo), aí aproveitou pra FUGIR por causa de uns problemas aí. Ficou umas duas semanas fugido e já prenderam ele de novo, só que agora ele voltou pro regime fechado e vai demorar mais uns duzentos anos até chegar no semi-aberto de novo. É foda, viu.

 

casa_de_detencao_opo_29_05_2014_23_19(Casa de Detenção, vulgo CADEIA, aqui da cidade. Só os campeões)

Bom, ainda seguindo a ideia de contar a história de trás pra frente, o último momento interessante que lembro com ele foi quando ele tentou me levar num BORDEL no fim do ano retrasado pro começo do ano passado. Bordel, casa de prostituição, puteiro, como preferir chamar.

Lembro que ele também estava em regime semi-aberto (depois pegaram ele com umas maconhas aí e voltou pro regime fechado) e estava MUITO bêbado. A gente táva andando de moto por aí e de repente ele parou em um casebre de madeira todo destroçado, com um monte de mulher na frente, uma mais feia e escrota que a outra. Ele deu uns beijos numa vagabunda qualquer lá e a outra disse alguma coisa como “hmmm, então esse aí é seu filho, é?”, e meu pai respondeu algo do tipo de “aham, tô com ele aqui pra vocês darem um trato nele”. Foi foda porque na época eu namorava, e como sou um cara muito fiel e as putas eram tão estranhas quanto o estranho pode ser, eu respondi “não, pô, eu tenho namorada, não posso não”. Meu pai até insistiu, dizendo que “mas ela não precisa saber”, mas eu usei meu super poder de bom senso e responsabilidade pra negar aquela foda.

Putz, outra coisa que lembro é que a gente criava preás (porquinho-da-índia) e coelhos. Uma vez ele escondeu umas maconhas dentro da casinha dos porquinhos e eles roeram tudo. No outro dia, uns tinham morrido, outros só estavam agindo de um jeito MUITO suspeito… o problema é que uma noite ele chegou bêbado em casa e se jogou em cima da casinha até ela quebrar, aí como aqui em Rondônia tem mato pra tudo que é canto, os bichos fugiram pra um lugar qualquer. Saudades, preás.

Tenho mais um milhão de histórias e muito mais coisa pra falar sobre o cara, mas vou guardar o conteúdo pra outros posts. Por enquanto fiquem com essas pequenas passagens aí.

Obrigado.