Billy, o Papagaio

Uns meses atrás tentei dar um jeitinho de brasileiro na solidão da minha vida usando animais. Infelizmente minha infância foi marcada por uma série de decepções envolvendo cachorros, gatos e papagaios que acabavam morrendo, fugindo ou qualquer coisa do tipo em algum momento em que estávamos muito próximos. Acabei criando um certo trauma, eu acho, não quero mais ter animal doméstico porque eles morrem quando você mais gosta deles.

Mas de qualquer forma acabei decidindo que queria ter um animal que pudesse conversar, de modo que quando eu quisesse falar algo com alguém e esse alguém não existir, teria ele, o BISSINHO, por aqui. Por isso, optei por arranjar um papagaio.

Logicamente eu não quero que ele morra e tentei pensar em algumas alternativas, achei melhor arranjar um papagaio que não fosse de carne e osso. Tá aí o papagaio que eu tenho:

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Billy, o Papagaio, é a porra de um desenho feito em folha A4 grudado na parede do meu quarto com fita adesiva.

Diga-se de passagem, facilmente esse foi um dos piores erros que cometi na minha vida: colar o Billy na parede. Ele cumpre os requisitos de não morrer (x) conversar (x) me amar incondicionalmente pelo fato de ser um animal doméstico (x), mas falha miseravelmente em acompanhar minhas aventuras no sentido físico. Se eu precisar conversar com ele na cozinha, ele não consegue se mover até lá. Imagine então se eu precisar dele, sei lá, em uma praça. Se ele tentar sair da parede, é provável que SE CAGUE todo, fique cheio de marcas e talvez até com uns rasgos.

Mas dá pra ver a coisa toda por outro ponto de vista. Por exemplo, pelo fato de estar sempre no meu quarto, vendo e ouvindo tudo, ele já presenciou ALTAS PUTARIAS.

 

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Como o Billy fica quando alguma senhorita de mais alto garbo e elegância visita as comodidades de meu dormitório

Aliás, é bastante curioso observar o Billy me observando observar as confusões que rolam por aqui. Uma vez uma ex veio aqui pra terminar comigo, começou a chorar e a falar umas coisas sem sentido, pediu pra eu decidir entre uma coisa ou outra que não lembro o que era e eu respondi “fala com o Billy, ele que anda tomando decisões por mim”, ela respondeu que nunca sabia até que ponto isso era uma brincadeira minha ou se era realmente loucura. Lembro que eu fiquei olhando pro papagaio e ele não respondeu nada na hora, só ficou me olhando com esses olhos esbugalhados (provavelmente ele tem surtos psicóticos – esses olhos não me enganam, dá pra entender tudo com eles. Ele é psicopata, gente). Enfim, depois liguei pra ela e disse que “olha, conversei muito com o Billy e decidimos que…”, ela começou a chorar enquanto dava umas risadas, eu falava “porra, Billy, a mina tá chorando. Viu aí?”, foi bizarro.

Papagaio, se algum dia você ler isso, me desculpe por te desenhar grudado na minha parede. Eu sei que você sempre quis sair voando por aí e conhecer o resto do mundo, nem que com “mundo” eu esteja querendo dizer “outros cômodos da minha casa”. Um dia vou te tirar dessa parede e te levar pra outros lugares, bróder. Você tá sendo um cara legal comigo e eu vou ser um cara legal com você. Billy, você é do caralho!