De RO pra RJ, faculdade e outras coisas

Em primeiro lugar, se você pensou que o blog havia morrido:

hqdefaultERROU! Não só o blog não morreu, como, na verdade, as entranhas do universo se dobram para dentro de si ao passo que anuncio aqui seu nascimento – o do blog, não do universo, que esse, óbviamente, já está aí, ao contrário deste inanimado site. Então renasça, ó fabuloso blog! Ziriguidum, abra-te-sésamo e shazam, carai! Suba do caminho que percorria rumo ao webarchieve!

Agora, deixe-me explicar o que zárquon andou se passando na minha vida desde o último post, que foi há uns, sei lá, sete meses:

1. A Faculdade, Janeiro/2016

Na primeira ou segunda semana do ano foram divulgadas as notas do ENEM (se você é um jovem ignorante, trata-se da prova que se faz pra entrar na faculdade, basicamente), e acontece que eu fiquei mais ou menos com a nota que esperava ficar, fato esse que significava uma coisa: na semana seguinte me inscreveria no SISU (pro ignorante, de novo: um sistema que usa a nota do ENEM pra selecionar quem entra nas faculdades federais) e provavelmente conseguiria penetrar no curso que planejava. Ênfase para o planejava porque evidentemente eu já havia escolhido muito tempo antes do processo seletivo qual curso gostaria de fazer, e onde.

Assim, as próximas semanas acabaram sendo de MISSÃO CUMPRIDA, YOU WIN, K.O., ou etc, porque o resultado do SISU saiu e aí pronto: eu estava aprovado. Pro curso de Cinema e Audiovisual. Em Niterói, no Rio de janeiro.

Bacana, legal? Fato é que veio aí um problema colossal: Keven Fongaro, a.k.a. eu, era um cidadão de Rondônia e apenas de Rondônia. Repetindo, RONDÔNIA. Atente-se ao mapa:

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TRÊS MIL QUILÔMETROS!

Três mil de qualquer coisa já costuma ser algo muito grande, mas três mil quilômetros é especificamente gritante, né? De qualquer forma, isso só implica dizer que uma mudança de um estado pra outro é uma aventura dantesca que me rendeu altas histórias pra contar – o que, por sinal, é excelente quando se tem um blog, e eu vou me aproveitar disso contando nesse post apenas por cima, e depois crio posts separados contando os detalhes de cada epopeia.

2. A primeira vez em Niterói, Fevereiro/2016

Visto que já constava na lista de aprovados o meu nome, começava a parte de fato complicadassa: me mudar pro outro lado do país.

A coisa mais importante de se mudar pra outro lugar é ter um lugar para onde mudar; como não tenho nenhum parente, amigo ou mesmo inimigo em terras cariocas, tive que resolver a coisa toda eu mesmo: umas cinco horas num ônibus pra chegar à Porto Velho, capital de Rondônia, onde peguei um avião pro Rio de Janeiro – mais umas oito ou nove horas, contando a conexão em Brasília.

Bem, aí que eu cheguei no Rio e fiquei completamente MONGOL.

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Já desci do avião mais ou menos assim.

Rapidamente, vale apenas destacar que era minha primeira vez no lugar, e, na verdade, em qualquer lugar remotamente parecido com esse (Keven, de Rondônia, lembra?), que eu estava munido de um celular com acesso à internet e google maps, que o taxista cobrou R$ 125,00 pra me levar do aeroporto no Rio até um hotelzinho que havia reservado em Niterói, e que tudo isso foi muito daora. De novo, uma epopéia dantesca – se eu já tiver escrito um texto contando tudo o que aconteceu nessa primeira viagem, você poderá ler clicando aqui.

Mas o que de fato nos interessa é: visitei alguns apartamentos que havia visto na internet e descobri que todos eram muito ruins e estupidamente caros. Não estava preparado pra isso. O melhor que encontrei era extremamente horrível e lá em Rondônia alugaria uma casa gigantesca com piscina e tudo mais pelo mesmo preço, mas acabei ficando com ele. Voltei pra Rondônia depois de uma semana procurando um lugar pra morar e acertado com um apartamento tenebroso e caro, mas eu o tinha. Até aí, missão cumprida: aprovado na faculdade e com um lugar pra onde pudesse me mudar, e eu o fiz.

3. A mudança, Março/2016

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Até palavras cruzadas em inglês eu comprei.

Tendo pra onde ir, eu fui. Dia 15 enfrentei o mesmo processo de passar meio dia num ônibus e outro meio dia num avião, cheguei de novo ao Rio e fui pro AP que havia acertado. Foram umas duas ou três semanas de dor e sofrimento até meu computador chegar pelo correios e as lojas entregarem meus móveis; evidentemente, foi um período em que nada havia pra ser feito. Mofei em casa, li e reli alguns livros que trouxe na mala, resolvi umas, sei lá, seis revistas de desafios de lógica (nível difícil, hein).

(Mais uma vez, um texto sobre essa segunda viagem epopeiética, se já escrito, pode ser lido clicando aqui)

Mas depois que as coisas necessárias pra viver chegaram, eu vi que o buraco era mais fundo. Primeiro, depois que passei a ter um fogão, uma cama, geladeira etc e tal, me restava comprar utensílios como panelas, pratos, copos, sabe, esse tipo de coisa que a gente usa pra viver. Foram-se aí mais algumas semanas em que nada havia pra ser feito além de ajeitar a vida nova aos poucos: chegou o mês de Abril e alguns problemas começaram a se tornar visíveis.

4. Todos os problemas, Abril/2016

A essa altura eu esperava já estar completamente mudado para Niterói, sentado no computador, escrevendo coisas pra esse blog, estudando e tudo mais. Isso tornou-se impossível por alguns motivos:

1 – Me toquei que o apartamento ficava num prédio misto, com pessoas morando e também lojas o que acarretava em MUITO BARULHO MESMO. Isso, evidentemente, tornava o ap completamente inviável pra alguns estudos – de filmes e música, por exemplo – e produções – como sentar e escrever.

2 – O apartamento não tinha nenhum lugar onde eu pudesse colocar uma máquina de lavar, o que quer dizer que ou eu lavava roupas num baldinho ou não lavava.

3 – O apartamento não tinha pia (era antes uma sala comercial), o que complicava bastante (muito, muito mesmo) na hora de cozinhar.

Evidente que eu havia aceitado o local sabendo dos problemas 2 e 3, justamente porque eu tinha uma poupança feita ao longo de anos pra um momento como esse e pensei “ora, eu compro uma pia, compro uma máquina e contrato um pedreiro, foda-se”. Mas o problema 1 me pegou em cheio: eu esperava vir ao Rio justamente pra estudar e produzir, e estando num lugar onde eu não pudesse nem estudar e nem produzir, toda a mudança ficaria sem sentido – inclusive, tive uma daquelas pequenas crises existenciais de oh, a vida é mesmo uma merda, que coisa mais sem propósito que duram uma semana.

Fui lá eu resolver esse problema e procurar outro lugar pra morar, agora com a vantagem de já estar na cidade – acredite, estar numa cidade ajuda muito a achar lá uma moradia. Paralelamente, as aulas na faculdade começaram dia 25.

5. A Fabulosa Casa de Keven Fongaro, Maio/2016

Depois de muita pesquisa e de quase decidir virar hippie, achei um lugar. Uma casa. No centro de Niterói, bem perto de um Shopping, mais barata que o outro AP. Quarto, sala, cozinha, banheiro e tudo mais; nem parecia ser verdade. Aceitei sem pensar duas vezes, encarei toda a burocracia de quebrar um contrato de aluguel e fazer outro e consegui me mudar no dia 18. No mesmo dia, lógico, comprei uma máquina de lavar, microondas e outras cousitas mais – realizei meu sonho de ter potinhos com temperos, inclusive.

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Vista breve da rua da minha nova casa. Tô aqui.

Ou seja, agora sim: foi! Depois de cinco fodendo meses consegui sair de Rondônia e vir para o Rio de Janeiro, enfrentando no meio do processo uma ligeira complicação pra conseguir ter uma qualidade de vida tão boa quanto tinha antes, mas deu certo.

E agora, Keven?

Agora o blog passa a ter, no mínimo, um texto por semana (e com certeza; porque já tem textos reserva pro caso de nalguma semana eu atrasar). Todo o ambiente de uma cidade grande e uma universidade colossal gera incontáveis posts para a categoria (Minha) Vida, e ainda inspira muitos outros pra categoria Contos; com o curso de cinema, a categoria Recomendações deve crescer junto com a de Tutoriais.

E para além de tudo isso, pretendo começar com historinhas por aqui, digo, narrativas, um capítulo por semana, história continuada e tudo mais, você sabe, estilo fanfic (sem a parte de ser fan). Evidente que eu disse que vim pra cá com o objetivo de estudar e produzir, então não é só neste site que pretendo investir meu tempo, mas é aqui que divulgarei num futuro breve qualquer obra que vier a sair da minha cabeça.

Concluo repetindo o início do texto: o blog nasce, verdadeiramente, aqui. Volte toda segunda às 11h/Brasília para novos textos! (: