Achei tudo que procurava num jogo em Anno 1404 (um game pra quem já gosta de Age of Mythology/Empires)

Senhoras e senhores, estou apaixonado – por um jogo.

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Playstation 2 e Keven Fongaro nos idos de 2008.

Minha infância foi permeada de videogames: comecei com um Dynacom que ganhei tão logo vim ao mundo e atingi o ápice com um Playstation 2 quase na pré-adolescência. Lembro saudosamente, inclusive, de ir com frequência ao camelô e comprar três jogos por dez reais – feito inacreditável pra quem só conhece os consoles atuais e paga mais de cem num game. Ainda hoje tenho minha coleção de capas piratas que restaram dessa época dourada de jogatinas playstanísticas:

Paralelamente, com oito ou nove anos fui introduzido ao mundo dos jogos de computador, que se mostrou amplamente vasto e de maior desempenho à época. Sem demora, comecei a gastar a maior parte do meu tempo com Mu Online, The Sims, Need For Speed e Age of Mythology – esse último atravessou as barreiras temporais das viradas de ano e se instalou no que eu chamo, até hoje, de “meu jogo favorito”. Ou pelo menos chamava, porque agora eu conheço o glorioso Anno 1404!

Pra entender o que me prendeu tanto ao Anno, é preciso entender o que me prendeu tanto ao Age of Mythology na última década de vida: estratégia e ação.

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Repare na expressão alegre de quem jogou todos esses piratex por R$ 3,33 cada.

Em outras palavras, o que sempre gostei nos jogos foi de, justamente, jogar. E a partir de God of War, no Playstation 2, os jogos começaram a ter a tendência de não serem jogáveis. Um jogo que se joga sozinho, sem sua ajuda! Já pensou? Pois é, a indústria game pensou e hoje em dia todos os jogos são assim, todos os jogos atuais consistem em você apertar o mesmo botão e assistir as cenas cinematográficas com gráficos impecáveis. Esse é um fato que me entristece bastante, principalmente porque eu fico na obrigação de jogar jogos antigos. E não pense que é por falta de tentativa, porque eu acompanho sempre a lista dos lançamentos anuais, dos melhores jogos, das promessas e tudo mais: todos se jogam sozinho, nenhum oferece à mim a possibilidade de, enfim, jogar.

Já os jogos antigos, apesar de serem jogáveis e oferecerem um entretenimento digno, enfrentaram a falta de capacidade dos consoles/pcs de suas épocas: não há maneiras diferentes de jogar o mesmo jogo. Ou seja, como já joguei todo o GTA San Andreas, Vice City, Need For Speed Underground/Most Wanted, The Sims, Sim City, Call of Duty etc e tal, não tem a menor graça jogar de novo pela segunda, terceira ou quarta vez, porque o jogo é igual.

Age of Mythology não tem isso, ao contrário, cada partida é completamente nova. A mecânica é simples mas te possibilita jogar sempre algo diferente. O que mais me agrada é que ele traz as duas coisas que eu mais gosto: estratégia (você pode ganhar através de planos e da própria inteligência) e ação (se você não fizer nada, simplesmente é morto, então é sempre obrigado a estar jogando).

Mas depois de alguns anos sendo meu inseparável amigo pra horas de tédio, acabei cansando de jogar sempre o Age of Mythology. Apesar de me proporcionar cada vez uma partida diferente, me enchi de jogar sempre algo diferente num mesmo jogo, e comecei minha caçada por qualquer coisa que me lembrasse remotamente a alegria que este game sempre me trouxe. Surgiu ele…
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É um Age of Mythology melhorado, beus abigos!

Permanece a questão da estratégia, mas a jogabilidade é levada para níveis que eu jamais imaginaria. Assim como em AoM, o jogo gira em torno de levantar uma civilização num mapa em que outras civilizações existem, competindo pelos recursos naturais usando de recursos militares.

A primeira grande diferença surge na questão diplomática: em Anno existe a figura de um Imperador, que, basicamente, é você, e consequentemente és obrigado a cuidar das relações, erm, diplomáticas, do seu império com outros impérios da região; são missões para adquirir respeito, comércio, tratados de paz e guerra, alianças… as possibilidades são, realmente, fascinantes.

Em segundo lugar, os recursos naturais: enquanto em AoM prende-se à madeira, ouro, carne e proteção, em Anno você se depara com pedra, ferro, argila, peixe, ervas, cidra, quartzo e tantos outros que sequer consigo me lembrar. Como consequência, esses numerosos recursos naturais podem ser convertidos em muitos itens que podem ser usados pela população do seu Império, bem como se tornarem moeda de troca com os vizinhos: roupas, vinho, cordas, ferramentas, café, tapetes…

Além do destacável aumento na parte pensável da construção de uma civilização, os conflitos e a ação se intensificam – aparecem tempestades de raios, incêndios, ataques piratas, mendigos (que xenofobicamente se transformam em bandidos no centro das suas cidades se você não der esmola, basicamente). Sabendo que existem relações diplomáticas, fica evidente que pode-se declarar guerra à qualquer dos impérios existentes no mapa, mas o mais divertido é a possibilidade de sabotagem, ou seja, infiltrar tropas em territórios aliados.

Reitero que as possibilidades oferecidas por Anno 1404 são tantas que sequer consegui descobrir todas, e mesmo nesse caso não ousaria descrevê-las porque ver o quão longe o jogo pode te levar é uma das partes mais divertidas da jogatina – ainda assim, certamente vou fazer um review e tutoriais pra iniciantes e postarei-os nesse blog.

Pra finalizar, deixo algumas imagens do (meu) gameplay – só clicar pra ver em tamanho grande – e recomendo que vá jogar tão antes quanto possível:

screens anno 1404