De repente lembrei de Yu-Gi-Oh! na minha infância

2005, uma terça feira qualquer, manhã. Você provavelmente estava assistindo algum desenho na TV Globinho? Porque se sim, meus parabéns, mas se não, só posso lamenter por sua infância ter sido pior que a minha.

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Hoje eu acordei e me veio a falta de você, TV Globinho.

 

Foi aí onde conheci Dragon Ball, Beyblade, Inuyasha, Digimon, Pokémon, Medabots… enfim, uma porrada de coisas que marcaram meus primeiros dez anos de vida. Acontece que vez ou outra algum desses desenhos acabava sendo mais que algo que via na TV e saía pro mundo real.

Com Yu-Gi-Oh! e suas cartas de duelo foram assim.

Ontem quando voltava da academia dei de cara com uma loja de jogos de carta, tabuleiro, rpg e outras coisas nerds. Fiquei PROFUNDAMENTE EMOCIONADO quando olhei pra placa na entrada e vi isso entre os logotipos dos produtos que vendiam lá:

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Nossa, são tantas emoções, bixo. Na mesma hora tive lembranças de umas coisinhas que aconteceram há uns, sei lá, dez anos, e quero aproveitar pra contar aqui três pequeninos CAUSOS envolvendo Yu-Gi-Oh! na minha infância antes que me esqueça. Mas antes já aproveito pra deixar aqui duas recomendações:

Se você já conhece a série, com certeza vai gostar muito de Yu-Gi-Oh! Duel Generation, jogo que tem versão tanto pra Android (download aqui) quanto pra IOS (download aqui). Cito rapidamente três motivos pra jogar: 1) mecânica que você já conhece, 2) mais de seis mil cartas disponíveis no sistema do jogo 3) dá pra jogar online com a galera 4) é grátis. Você não quer mais que isso, né?

Agora, se não conhece a série original, vai assistir AGORA! Tem no Netflix, e na verdade até no youtube. Destaque: vale MUITO a pena ver dublado. E de quebra aí vai uma breve explicação pros infelizes que não assistiram/jogaram essa maravilha:

Existia esse desenho/anime/mangá que consistia em personagens duelando, mas esses duelos eram feitos usando cartas. Tipo truco, mas cada carta apresentava um monstro com atributos de ataque e defesa, e tinham também as cartas mágicas e armadilhas, que afetavam os seus ou os monstros do inimigo, baseando toda a parte de estratégia do jogo. Acontece que foi um sucesso tão grande que acabaram lançando as tais cartinhas no mundo real, e elas eram mais ou menos assim:

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Pronto. Agora, tá vendo esses três monstrinhos aí de cima? Então, são os chamados Deuses Egípcios, e dentro do jogo são não só fortes pra caramba como também raríssimos de serem encontrados. Em outras palavras, objeto de desejo de todo jogador.

Eu tinha os três.

E troquei com um cara por uns cinco carrinhos de brinquedo estragados.

Não faço ideia de porquê fiz isso, mas fato é que fui duramente criticado por todos os meus primos. “Como assim?! Você tinha os Deuses Egípcios e simplesmente TROCOU?”, e eu “sim, mas por cinco carrinhos, cara…” e eles “mas os carrinhos são todos velhos e fodidos! Você é doido!”. No momento nem me toquei, o arrependimento só foi vir quando comecei a perder duelos que venceria se não tivesse me livrado das cartas raras.

Mas a má fase acabou quando consegui essa belezinha:

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A gloriosa CARTADA FINAL. Basicamente tudo que você precisa fazer é colocar essas cartas em jogo e a partida acaba. Tipo, do nada. Evidente que ficou tão chato que acabamos concordando em parar de usar esses cards apelões.

Outra coisa que me lembro é de ter passado a infância toda tentando possuir o Exódia, mais um deus egípcio poderosíssimo dentro do jogo. A diferença dele para os outros é que o Exódia não consistia de uma carta só, mas de seis: uma carta com a cabeça, outras duas para cada braço, o tronco noutra e mais duas com as pernas.

Com o decorrer dos anos fui acumulando quase todas, só me faltava a perna direita pra completar o Exódia. Eis que surge na escola um garoto vindo dos Estados Unidos e possuidor de altíssimas cartas de Yu-Gi-Oh, e quando fomos compartilhar histórias ele falou “Ei, precisa só da perna direita pra completar? Eu tenho e te dou!”.

Êta momento emocionante.

No outro dia, ele voltou com a carta que me faltava e a felicidade não cabia no meu peito. O resumo da ópera é que cheguei em casa e descobri que a perna que eu não tinha era, na verdade, a esquerda. Ou seja, a partir daquele momento eu tinha o Exódia mas com duas pernas direitas. Como fiquei com vergonha de contar pro cara e perguntar se ele tinha a outra carta pra me dar, então ficou por isso mesmo.

De qualquer forma, mantive todas as minhas cartas até meados de 2013 ou 2014, quando namorava uma garota que era muito fã da série e não possuía carta nenhuma. No meu bom coração de namorado, peguei-a admirando meu baralho velho e como eu mesmo não tocava nele há anos decidi simplesmente DÁ-LO. Uns meses depois terminamos, e ela até tentou me devolver mas eu estava numa onda de “nah, dane-se, pode ficar”, então acabou sendo esse meu último encontro com Yu-Gi-Oh!, mas ó, só lembrança maravilhosa.