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DOIS problemas com backup em UMA semana. Dois últimos textos perdidos. Ó vida cruel!

Blah.

Não é a primeira vez, e antes fosse a segunda, mas santa estupidez! Quão problemáticos  os backups podem ser?

No começo da semana fui entrar no site, esse blog cheiroso no qual escrevo, e me deparei com alguns posts faltando. Eis que, investigando um pouco mais, percebi que todos os posts feitos depois do penúltimo backup foram perdidos.

Claro que não faço a menor ideia de como diabos isso foi acontecer, mas por alguns motivos absolutamente satânicos esse penúltimo backup (feito no início de janeiro/2017) foi restaurado ao site. “Não temas, Keven Fongaro!” pensei eu quando me lembrei que tinha um backup do dia 08/02/2017 guardado no computador.

Fui lá eu, tranquilo, recuperar meu backup mais recente e corrigir o que quer que houvesse acontecido ao blog, e PLAU. Dios mio. O último backup estava idêntico ao penúltimo.

E é isso aí. Por mais que eu passe meu tempo tentando recuperar o backup novo, só aparece no site os posts salvo da penúltima vez. Pelo que me lembro, perdi dois textos que havia postado aqui, “O Vinho Dos Trols” e “Os Reis no Jardim da Senhorita Vivian”.

Agora, a perda desses dois textos me é muito, muito, mas muito sofrida. Passei os últimos meses estudando e refletindo sobre estrutura narrativa e tudo o mais sobre como contar histórias da melhor forma possível, de modo que entre um texto e outro existe uma diferença gritante. Isto é, não só eu considerava esses dois textos perdidos muito melhores que os textos que continuam no site, mas ao perdê-los também perdi o registro; não tem mais como, em algum momento do futuro, eu lê-los pra poder perceber o quanto minhas capacidades mudaram.

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Ah, mas não é só isso, ah, antes fosse! Também tive que formatar o computador três vezes nos último três dias. Ó, dor, foram dois dias tristíssimos. Por vários momentos pareceu que eu havia perdido tudo o que estava no computador, e como uso o mesmo HD desde meados de 2011, a perda seria absurdamente grande.

O ponto é: hoje consegui resolver o problema do computador sem perder nenhum arquivo, então tô finalmente respirando aliviado quanto a isso. Mas os dois textos do blog se foram, escafederam-se para sempre. Uma grande perda, inestimável; para mim, um luto, na verdade. Ô, vida.

Meu mais novo método para lidar com esses backups malditos:

  1. Fazer a cópia.
  2. Checar se a cópia foi feita com sucesso.
  3. Checar se o novo backup não é idêntico a algum antigo. [Novo™]
  4. Fazer cópia das cópias em vários dispositivos diferentes.
  5. Fazer upload em algum site, no momento uso Dropbox pra isso.
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Um pouco sobre minhas finadas criações de preás

Então, minha infância foi recheada de animais.

Comecei com Costelinha, um cachorro que minha tia achou na rua (ainda filhote) e me deu de presente. Ganhei o Costelinha quando tinha uns cinco ou seis anos, eu acho, e fiquei com ele até meados dos meus doze ou treze, quando de repente ele saiu de casa e voltou com a cabeça toda quebrada e pronto pra morrer. Nesse meio tempo aconteceram várias coisas:

1) Mudei o nome do Costelinha pra Costela, considerando seu envelhecimento;

2) Ganhei vários outros cachorros: Bob (fugiu), Max (era muito agressivo e resolvemos dar ele pra outra família), Luizinho (morreu doente), Farofa (morreu doente), Pitty (acabou sendo passada pra minha avó e posteriormente morreu doente) e Pirata (morreu doente);

3) Achei uma gata em frente a um templo de testemunhas de jeová, levei ela pra casa, chamei-a de Dudinha (evidente que mudei para apenas Duda depois, mesma lógica do Costela) e no fim do ano já tinha mais de dez gatos. Cheguei a ter mais de vinte gatos simultaneamente, e todos descendentes da Duda. Como não castrei nenhum, eventualmente eles simplesmente saiam pela vizinhança e não voltavam nunca mais;

4) Eu e um amigo resolvemos criar frango. Digo, um frango, como animal de estimação, sabe? Acontece que compramos frango de granja, o que nos levou a descobrir que esses frangos são geneticamente modificados ou sei lá o quê pra ficarem gordaços e serem comidos, ou seja, eles morrem naturalmente antes de virarem adultos. Depois, acabei desenvolvendo quase que uma fobia por galinhas;

5) Meu pai arranjou um papagaio, que acabou ficando comigo e minha avó depois que ele foi pra cadeia . Posteriormente, acabei tendo um papagaio imaginário;

6) Tive dois jabutis que foram criados soltos no quintal. Claro que acabaram fugindo, eventualmente.

Deu pra perceber que cada caso puxa um milhão de histórias que merecem posts próprios, mas, pra hoje, FOCA NO PREÁ:

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Antes de conseguir o Costelinha, eu queria muito (muito mesmo) ter um animal de estimação, especialmente um cachorro. Mas, bem, sabe como é, todas as complicações envolvidas em cuidar de um cão e tudo mais acabaram inviabilizando o negócio – pelo menos até o Costelinha me ser entregue magica e inesperadamente pela minha tia, como já disse.

Eis que meu pai, em toda sua sabedoria e experiência de vida, surgiu com a ideia de criarmos preás. Ele já havia feito isso antes, então já sabia como a coisa toda funcionava: alimentação, comodidades, reprodução, etc, meu pai era SÁBIO em relação aos preás.

E lá fomos nós, conseguimos uma gaiola estragada que tivemos que consertar e colocamos um casal que compramos numa petshop. Com o passar do tempo, acabei aprendendo o que meu pai sabia sobre preás simplesmente por lidar com eles diariamente. Uma das primeiras coisas que aprendi, inclusive, foi que preás se reproduzem muito rápido: três ou quatro filhotes a cada dois meses, se me lembro bem. “É parecido com coelho”, dizia meu pai.

Essa primeira leva de preás acabou não dando em nada porque nos livramos dela logo que conseguimos o Costelinha, simplesmente soltamos todos num bosque e pronto. Mas a segunda vez que eu e meu pai decidimos criar preás foi muito mais interessante: não tínhamos mais a gaiola, mas tínhamos uma caixa d’água velha que viramos de cabeça pra baixo e cercamos com madeira.

Na primeira vez, quem se preocupava em cuidar dos preás de fato era meu pai, mas na segunda a responsabilidade ficou quase toda pra mim, de modo que acabei me apegando aos bichos. Quer dizer, eu é quem todos os dias dava água e comida pra eles.

Meu pai, por outro lado, basicamente usava a casinha dos preás como esconderijo de drogas. Ele simplesmente colocava os malotes em baixo da tal caixa d’água e ficava por isso mesmo, a relação dele com os animais não ia muito além.

Isso teve dois resultados:

  1. Teve a vez em que meu pai foi pegar um bloco de maconha que tinha colocado lá, e quando ele percebeu o negócio estava todo corroído. Sim, os preás decidiram roer a maconha: ficaram a semana toda se comportando de maneira esquisita e acabaram morrendo uns dois ou três; meu pai deve ter deixado de ganhar uns cinquenta reais que faturaria com a venda.
  2. Certa feita estava lá eu mostrando os preás pra um amigo meu, todo feliz, quando de repente esse meu amigo resolveu que queria pegar os preás que estavam dentro da casinha (vulgo caixa d’água) pra poder segurar eles nas mãos. Pensei “rapaz, fodeu, o cara vai colocar a mão dentro da casinha e tirar altas maconhas lá de dentro”. Enfiei lá minha mão, tirei um dos preás, entreguei pro garoto, e enquanto ele brincava eu usei das minhas habilidades de caráter ninja pra tirar a maconha e esconder em outro lugar. Foi um movimento arriscado, mas funcionou.

Fato é que dessa vez a criação de preás se saiu muito bem. Eles se reproduziram tanto que vez ou outra acabávamos sendo obrigados a soltar alguns pra evitar superlotação da caixa d’água, sem contar que eu fiquei bastante apegado por cuidar deles diariamente – felicidade que se foi quando meu pai chegou em casa bebaço e resolveu PULAR em cima das madeiras que cercavam a caixa d’água, de modo que todos os preás fugiram. Por um lado fiquei chateado por perder tudo e sem saco de começar outra criação do zero, mas também fiquei aliviado por não ter mais que me preocupar em dar água e comida todo dia.

De qualquer forma, passei alguns anos sem me envolver com preás até minha última tentativa, lá pelos idos de 2011. Foi uma empreitada financeira: descobri que as petshops não só vendiam preás como também compravam, pensei “tá aí, eu manjo disso, posso levar pra frente esse negócio” e prossegui.

Fiz uma casinha, coloquei um casal, e quando os filhotes dos filhotes começaram a se reproduzir fui lá eu vender os mais novos e obter meu LUCRO. Aí veio a decepção, porque descobri que compravam cada um por DOIS REAIS, e isso não pagava nem o que eu gastava em ração por semana. Fiquei frustrado e acabei com toda a criação, evidentemente.

E pronto, nunca mais me envolvi. O resumo da ópera é que já passaram mais preás pelas minhas mãos do que notas de R$ 100. Vale dizer que meu último encontro com um foi relatado aqui, em 2014, quando meu gato apareceu em casa assim:

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Fui o pior mecânico de carrinhos da Hot Wheels do mundo

Já cheguei a contar aqui da vez em que troquei algumas cartas raras de Yu-Gi-Oh! que eu tinha por alguns carrinhos quebrados da Hot Wheels, e isso já explica o quanto eu gostava desses brinquedos.

Vale destacar que no alto dos meus nove ou dez anos existia toda uma cultura da Hot Wheels, toda uma apreciação em volta da marca. Lembro que eu e meus amigos sempre ficávamos desenhando os carros do desenho que passava na TV, todo mundo tinha um caderno da Hot Wheels, uma mochila da Hot Wheels, uma sandália da Hot Wheels… mas nada mais cultuado que os colecionáveis.

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Parte mais interessantes de uma loja de brinquedos. Ano: uns dez atrás.

Custavam R$ 4,99 cada, e comprei tantos que nem sei dizer exatamente quantos, mas definitivamente foram muitos. O ponto é que todo mundo comprava, então existia aquele momento de sair da aula com os amigos e ir lá comprar os carrinhos, ficar escolhendo entre trocentos modelos, admirando os com design mais louco possível e no fim das contas escolher os carrinhos que mais pareciam com carros de verdade.

E, bem, digamos que não dava pra fazer muita coisa com esses carrinhos. A coisa toda era meio sem sentido.

Sempre víamos na TV aquelas pistas e parques de brinquedos personalizados, mas como a gente não achava pra vender (e mesmo se achássemos, custaria os olhos da cara) não ficava outra opção a não ser comprar os carrinhos e não ter nada pra fazer com eles. Eu tinha alguns amigos que nem tiravam da embalagem, na verdade: só compravam e deixavam lá guardado, como colecionável mesmo.

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ESSAS PISTAS MALDITAS que a gente só via nos comerciais do SBT. Sem elas os carrinhos não tinham sentido.

Eu achava isso imbecil. “Por que diabos esses imbecis compram o negócio se não vão nem tirar da embalagem e só deixar guardado?”, pensava eu. Evidente que eu tirava da embalagem antes de deixar guardado como colecionável. Não faço ideia de quantos comprei e não usei pra nada, mas pelo menos eu tirava da caixinha, né, pelo amor de deus.

Um dia isso mudou, caras. Não lembro o porquê, mas de repente decidi fazer alguma coisa com meus carrinhos e resolvi me divertir com eles. Aí peguei um e PINTEI usando um esmalte que peguei da minha mãe.

E ficou uma merda.

Ruim, muito ruim. Ficou muito mal feito, todo borrado e esquisito. Mas achei algo tão legal de fazer (pensei “porra, é isso aí, finalmente tô usando o brinquedo pra brincar”) que decidi fazer com meus outros carrinhos também, então peguei vários e reformei usando esmalte e palito de dentes. Altas pinturas personalizadas.

Eis que no outro dia resolvo levar meus carrinhos recém-reformados pra aula e mostrar pros meus amigos. Faço isso, e pra minha completa surpresa, surge um clima de “wow, que daora, faz no meu também”. Vê? Criança não tem a menor noção das coisas: fiz um negócio ridiculamente mal feito, literalmente estraguei meus carrinhos, e o que aconteceu foi que os outros moleques queriam que eu estragasse os deles também.

Acabei levando alguns carrinhos pra casa e passando a noite trabalhando nas obras de arte. Ficaram todos muito ruins. Muito mesmo. Lembro que eu sempre tentava desenhar umas chamas nas laterais dos carrinhos pra eles ficarem mais ou menos assim:

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Mas a qualidade do trabalho era tão ruim que qualquer coisa que eu fazia ficava mais parecida com isso:

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Ou seja, horrível mesmo.

E, bem, sei lá quantos brinquedos dos meus amigos eu consegui estragar nessa onda de ser mecânico de carrinho da Hot Wheels, mas os caras achavam tão legal que me davam um real por cada. Sério.

O resumo da ópera é que cabeça de criança não funciona muito bem, que eu estraguei meus carrinhos e os carrinhos dos meus amigos de R$ 4,99 pra ganhar R$ 1,00 por cada e que achava isso sensacional.

Vale concluir que isso não durou muito, em pouco tempo eu me arrependi de ter feito aquilo com meus brinquedos e simplesmente voltei a comprar e guardar sem fazer mais nada, eventualmente parei de comprar. Não faço ideia do que aconteceu com todos aqueles que eu tinha, mas depois de tantos anos ainda sobraram oito que guardo (apesar do estado lamentável):

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De RO pra RJ, faculdade e outras coisas #2 – Algumas HISTORINHAS

Ainda sobre minha mudança pra Niterói, reuni algumas HISTORINHAS das coisas que aconteceram durante o processo. Não rendem posts separados, mas são curiosas suficiente pra serem citadas. Clique para ler o primeiro post e entender a coisa toda.


1 – O contador de histórias no ônibus

Recapitulando:

2. A primeira vez em Niterói, Fevereiro/2016

Visto que já constava na lista de aprovados o meu nome, começava a parte de fato complicadassa: me mudar pro outro lado do país.

A coisa mais importante de se mudar pra outro lugar é ter um lugar para onde se mudar; como não tenho nenhum parente, amigo ou mesmo inimigo em terras cariocas, tive que resolver a coisa toda eu mesmo: umas cinco horas num ônibus pra chegar em Porto Velho, capital de Rondônia, onde peguei um avião pro Rio de Janeiro – mais umas oito ou nove horas, contando a conexão em Brasília.

Opa, corta! Começarei a contar mais ou menos nesse ponto: no ônibus. Entrei nele às 16 horas e sentei ao lado de um jovem completamente despojado, esticado na cadeira, com os pés na janela e um boné sobre o rosto; me acomodei elegantemente  e tudo permaneceu assim, calmo (o rapaz aparentemente dormia, ou fingia dormir), por uns quarenta ou cinquenta minutos, até o momento em que fomos todos surpreendidos por uma freada brusca.

As rodovias intermunicipais rondonienses são rodeadas por floresta amazônica, mato, capim e apenas isso. Aliás, já fica aí algo que não parece existir aqui para os lados do Rio de Janeiro: em Rondônia, entre uma cidade e outra há uma separação física gigantesca onde ninguém ousa viver. Dito isso, fica evidente que se o ônibus para do nada, no meio do nada, todo mundo pensa “pronto, fodeu”. E como eu tinha hora marcada pra chegar ao aeroporto, não só pensei “pronto, fodeu”, mas pensei “pronto, fodeu demais”.

Pelo fato de ter comprado minha passagem antecipadamente, meu assento era o de número 1, o que significa dizer que eu estava sentado na janela frontal e vendo absolutamente tudo que o motorista via – exceto que o ônibus tinha dois andares, por assim dizer, e eu estava no de cima enquanto que o motorista no de baixo. De qualquer forma, olhei pra frente tentando identificar o que causara a freada e vi lá um carro parado na nossa frente, o que rapidamente me levou a concluir que, wow, o motorista do ônibus foi obrigado a frear inesperadamente porque esse carro à nossa frente também freou inesperadamente. Antes de identificar porque diabos o carro da frente havia freado e nos obrigado a frear pra evitar um acidente, o rapaz ao meu lado se levantou de SUPETÃO e disse:

– Puta que pariu! Arrumaram esses buracos esses dias e já tá tudo lascado de novo! Esses caras são fodas! O dinheiro da gente vai pro lixo, não sei pra quê eu pago imposto!

Num movimento encéfaloperistaltico, minha massa cinzenta resolveu observar à frente do tal carro e vi lá um buraco na estrada. Liguei A com B e depois com C e ficou evidente que aconteceu o seguinte: o motorista do carro foi surpreendido pelo tal buraco, só o percebeu quando já estava em cima, e freou pra evitar merdas, depois, o motorista do ônibus percebeu que o motorista do carro havia parado de se mover, e pra evitar acidentes também pisou no freio. Aí, enquanto o carro e o ônibus voltavam a acelerar muito lentamente por sobre o buraco, olhei pro rapaz e disse:

– Pois é.

E então, bem, começamos a conversar.

Quer dizer, ele começou a conversar. Eu pensei em me suicidar umas onze vezes durante a conversa e me limitei a apenas responder o que ele dizia, sem instigar novos assuntos: o cara era ou um puta mentiroso ou o próprio Indiana Jones.

Digo isso porque ele não parava de contar suas aventuras, o que não é nada absurdo visto que até eu posso contar aventuras e estou fazendo isso agora, na verdade, mas suas histórias simplesmente não condiziam com a realidade: pelo que disse, ele já tinha morado uns anos no nordeste, outros em minas gerais, outros na bolívia, outros no paraguai, tinha também passado uns anos fazendo transporte de bovinos pelo país com um tio… por aí vai. E já julgando o livro pela capa: ele não parecia ter mais que, sei lá, vinte e cinco anos.

O sentimento de “para de inventar coisa, cara, por que cê tá fazendo isso?” já havia me consumido por completo – claro que talvez todas as milhares de histórias que ele contou sejam verdadeiras, mas, de novo, ou sua imaginação era colossal ou ele tinha uns dez mil anos de vida – quando o sujeito me perguntou pra onde ia e respondi “bem, Niterói, no Rio de Janeiro”, ele:

– Oloco! Rio de Janeiro? Vai mudar da água pro vinho, hein?

Eu já ia dar meu “Pois é…” quando me interrompeu:

– Já estive lá, fui numas festas. Aquele pessoal é tudo louco!

E danou de contar sobre aventuras envolvendo playboys cariocas, favelas e bailes funks. A essa altura eu finalmente estava interessado em saber onde é que a coisa toda ia parar, mas acabou que o ponto dele chegou e segui sozinho o resto da viagem.

2 – A senhora passando mal

Nah, só uma senhora no assento de traz que chamou o comissário de bordo logo que o avião saiu do chão. Ele fez umas perguntas básicas pra identificar o problema e até eu fiquei assustado quando ela disse que não comia algo “desde as dez horas” (eram sei lá, quatro e pouco da manhã). O rapaz saiu na hora e trouxe o que eles chamam de sanduiche (eu de pão com mortadela), e aí parece que ficou tudo bem. Ele até perguntou “quer que eu pergunte se tem um médico no avião?” e ela “não, não”. De qualquer forma, deu tudo certo daí em diante, aparentemente.

3 – Taxista legalzão

Em terra, no Rio de Janeiro, o próximo passo era chegar ao hotel que já estava agendado: peguei um táxi na porta do aeroporto e veio logo o primeiro baque: R$ 125,00. Estava acostumado com os táxis rondonienses, que cobram R$ 4,50 e te levam pra qualquer lugar da cidade, mas fazer o quê, né? Táva ali com as mãos praticamente amarradas, visto que não conhecia ninguém das redondezas e só tinha como guia um celular com acesso horrível a internet, então fui.

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Não faço ideia de quem seja o cara aí da foto, mas todos os taxistas cariocas são clones dele.

Mas acabou que o taxista era um cara muito bacana e as meia hora que passei dentro do carro foram bem legais, porque depois que contei que era de Rondônia, ele resolveu ir me contando sobre onde estávamos. Fomos passando pelos lugares e ele foi explicando – destaque pra base da marinha, lugar que já conhecia pelos livros de história, mas ele me contou sobre a construção da ponte Rio-Niterói, sobre as plataformas de petróleo, sobre os submarino, sobre a “região serrana do rio”.

Ah, obviamente ele também reclamou da Dilma e disse que o Lula foi uma das maiores enganações que ele já viu, que fazia parte de sindicatos e o cara surgiu como um grande nome, por aí vai. Eu, que vinha quieto, vi uma oportunidade de falar algo e perguntei sobre as perspectivas pra 2018. Fiquei (positivamente) surpreso quando percebi que ele não sabia quem era Bolsonaro.

De tão bacana, o tiozão até se despediu com um “boa sorte, garoto” – sem contar que ligou pro hotel pra descobrir o endereço deles porque eu tinha anotado de forma confusa.

4 – Mais um contador de histórias no ônibus, mas real desta vez

Lá ia eu, fazendo pela segunda vez o mesmo caminho descrito no começo do post, no busão pra capital de RO e depois no avião pro RJ. A diferença é que dessa vez era definitivo, estava (v)indo pra ficar e não pra visitar apartamento, o que quer dizer que por dentro de Keven Fongaro estava todo um clima de fodam-se essas pessoas, logo estarei do outro lado do país e não existe a menor possibilidade de revê-las, quando PLAU, sou surpreendido por uma história de vida digna de Programa do Gugu!

Basicamente, chegou um homem com uma menina de uns cinco anos e eles se sentaram nos assentos da fileira do outro lado do corredor. Eu, no maior clima de foda-se, nem me toquei, mas o outro homem sentado do meu lado puxou assunto e os dois foram conversando. Passei a viagem toda (umas seis horas) ouvindo o papo, e não me sinto deselegante de contar aqui porque as pessoas das cadeiras ao redor se juntaram e no fim das contas ficou claro que meio que ele conta a história pra qualquer um que quiser ouvir.

Seguinte, a menina tomou alguma coisa que não devia e ferrou com o próprio estômago. Alguma coisa que a mãe passava no cabelo, algo me diz que era água-oxigenada, mas já não tenho mais certeza. De qualquer forma, ela tinha uns dois anos quando fez isso, e evidentemente essa arte-de-crança acabou ferrando não só o estômago como também os pais.

A garota ficou alguns meses em coma, segundo o pai, até porque foi daqueles casos em que vários médicos falaram que não tinha solução antes de algum deles aparecer com um tratamento supercaro, o que foi uma luz no fim do túnel que significava apenas um próximo túnel, porque os pais não tinham dinheiro. E, pra piorar, a mãe os abandonou. Ficou lá aquele pai com uma criança em coma, precisando de um tratamento que ele não poderia pagar e, ainda por cima, sem ajuda (financeira e pessoal) da mãe.

Ele fez o que deu: largou tudo e pediu socorro pra todo mundo que conhecia, e as pessoas socorreram. Acabou que através de uma vaquinha ele conseguiu se mudar com a menina pra São Paulo, especificamente pro Hospital das Clínicas de São Paulo, onde, segundo ele, conseguiu viver graças à ajuda das outras pessoas que frequentavam o hospital, ONGs, doações, esse tipo de coisa. Ficou sem trabalhar porque passava o dia inteiro lá com a filha.

A filha, aliás, começou a passar por várias cirurgias e não dava em nada. Com o passar dos anos, começou a progredir, eventualmente. O pai não explicou o processo detalhadamente, mas ele ficava dizendo que era milagre e que os médicos sempre passavam prognósticos negativos e tudo mais. Foda.

Daí chegamos no ponto em que encontramos o cara na viagem: a garota lá, andando, falando, brincando, enfim, mó boa. O cara até mostrou a cicatriz que ela tinha ao lado do umbigo. Pelo que entendi, eles estavam voltando pra sampa pra mais uma sessão-de-alguma-coisa e se ver livre do problema pra sempre.

5 – Mais caras estranhos tendo conversas esquisitas

Só que no voo Brasília-Rio de Janeiro, os dois acentos ao lado do meu foram ocupados por uns jovens que ficaram umas três horas conversando sobre a maneira que a mídia lidava com alguma secretaria do DF em que eles trabalhavam. Três horas, santa mãe de deus. Foi insuportável.

6 – Uma japa mó <3 no aeroporto

Estava eu aproveitando as comodidades do aeroporto, lugar que descobri que adoro, simplesmente sentado e olhando a alta movimentação de pessoas, esperando as estatísticas agirem e me proporcionarem um acontecimento interessante… e aconteceu: uma garota me veio pedir doação.

E foi bem estranho num primeiro momento porque ela só entregou um panfleto e estendeu a mão. Fiquei todo mas que diabos?, li o panfleto rapidamente e vi que falava alguma coisa sobre crianças famintas, olhei pra garota e ela só dizia “obrigado, obrigado” num sotaque muito esquisito.

Como ela tinha todo o biotipo do estereótipo asiático, logo supus que ela não fosse brasileira e não falasse português, mas fui surpreendido. Depois de analisar o panfleto, eu murmurei uns “quê?” enquanto meu cérebro decidia se ia escorrer pelo lado esquerdo ou pelo lado direito, então ela tentou soltar explicações. Falou muito esquisitamente sobre “doação” pra “ajudar crianças”, e no meio soltou um termo em inglês. Pensei, oh!, tá aí, uma oportunidade pra usar meu inglês.

E isso foi bem importante. Digo porque eu entendo inglês muito bem há bastante tempo, mas sabe como é, lá em Rondônia eu nunca tive oportunidade de testar na prática, sabe? Respondi a garota em inglês e ela fez uma expressão que claramente dizia rá!, até que enfim, posso me expressar.

E deu tudo certo. Ela explicou a coisa toda detalhadamente e ainda perguntou sobre mim. Contei pra ela que estava de mudança, tentei fazer ela entender que picas de estado é Rondônia – inclusive, falei que ficava do lado/dentro da Amazônia, porque todo gringo conhece a Amazônia, e ela respondeu com Amazônia? Aquele lugar onde as pessoas são tipo…? e bateu com a mão na boca, imitando um índio. Me senti bastante ofendido, mas ela era tão legal e cute que só respondi é, mais ou menos, não exatamente, sabe… de maneira bastante desconcertada. No fim das contas doei 20 reais, que era o que eu tinha no bolso, e ficou por isso mesmo.

A maior parte do que aconteceu a partir daí já foi contada no outro post sobre a mudança, mas, bem, o resumo é que saí de lá e cheguei aqui – como essa era a meta desde o começo, a conclusão desses dois posts é:

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De repente lembrei de Yu-Gi-Oh! na minha infância

2005, uma terça feira qualquer, manhã. Você provavelmente estava assistindo algum desenho na TV Globinho? Porque se sim, meus parabéns, mas se não, só posso lamenter por sua infância ter sido pior que a minha.

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Hoje eu acordei e me veio a falta de você, TV Globinho.

 

Foi aí onde conheci Dragon Ball, Beyblade, Inuyasha, Digimon, Pokémon, Medabots… enfim, uma porrada de coisas que marcaram meus primeiros dez anos de vida. Acontece que vez ou outra algum desses desenhos acabava sendo mais que algo que via na TV e saía pro mundo real.

Com Yu-Gi-Oh! e suas cartas de duelo foram assim.

Ontem quando voltava da academia dei de cara com uma loja de jogos de carta, tabuleiro, rpg e outras coisas nerds. Fiquei PROFUNDAMENTE EMOCIONADO quando olhei pra placa na entrada e vi isso entre os logotipos dos produtos que vendiam lá:

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Nossa, são tantas emoções, bixo. Na mesma hora tive lembranças de umas coisinhas que aconteceram há uns, sei lá, dez anos, e quero aproveitar pra contar aqui três pequeninos CAUSOS envolvendo Yu-Gi-Oh! na minha infância antes que me esqueça. Mas antes já aproveito pra deixar aqui duas recomendações:

Se você já conhece a série, com certeza vai gostar muito de Yu-Gi-Oh! Duel Generation, jogo que tem versão tanto pra Android (download aqui) quanto pra IOS (download aqui). Cito rapidamente três motivos pra jogar: 1) mecânica que você já conhece, 2) mais de seis mil cartas disponíveis no sistema do jogo 3) dá pra jogar online com a galera 4) é grátis. Você não quer mais que isso, né?

Agora, se não conhece a série original, vai assistir AGORA! Tem no Netflix, e na verdade até no youtube. Destaque: vale MUITO a pena ver dublado. E de quebra aí vai uma breve explicação pros infelizes que não assistiram/jogaram essa maravilha:

Existia esse desenho/anime/mangá que consistia em personagens duelando, mas esses duelos eram feitos usando cartas. Tipo truco, mas cada carta apresentava um monstro com atributos de ataque e defesa, e tinham também as cartas mágicas e armadilhas, que afetavam os seus ou os monstros do inimigo, baseando toda a parte de estratégia do jogo. Acontece que foi um sucesso tão grande que acabaram lançando as tais cartinhas no mundo real, e elas eram mais ou menos assim:

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Pronto. Agora, tá vendo esses três monstrinhos aí de cima? Então, são os chamados Deuses Egípcios, e dentro do jogo são não só fortes pra caramba como também raríssimos de serem encontrados. Em outras palavras, objeto de desejo de todo jogador.

Eu tinha os três.

E troquei com um cara por uns cinco carrinhos de brinquedo estragados.

Não faço ideia de porquê fiz isso, mas fato é que fui duramente criticado por todos os meus primos. “Como assim?! Você tinha os Deuses Egípcios e simplesmente TROCOU?”, e eu “sim, mas por cinco carrinhos, cara…” e eles “mas os carrinhos são todos velhos e fodidos! Você é doido!”. No momento nem me toquei, o arrependimento só foi vir quando comecei a perder duelos que venceria se não tivesse me livrado das cartas raras.

Mas a má fase acabou quando consegui essa belezinha:

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A gloriosa CARTADA FINAL. Basicamente tudo que você precisa fazer é colocar essas cartas em jogo e a partida acaba. Tipo, do nada. Evidente que ficou tão chato que acabamos concordando em parar de usar esses cards apelões.

Outra coisa que me lembro é de ter passado a infância toda tentando possuir o Exódia, mais um deus egípcio poderosíssimo dentro do jogo. A diferença dele para os outros é que o Exódia não consistia de uma carta só, mas de seis: uma carta com a cabeça, outras duas para cada braço, o tronco noutra e mais duas com as pernas.

Com o decorrer dos anos fui acumulando quase todas, só me faltava a perna direita pra completar o Exódia. Eis que surge na escola um garoto vindo dos Estados Unidos e possuidor de altíssimas cartas de Yu-Gi-Oh, e quando fomos compartilhar histórias ele falou “Ei, precisa só da perna direita pra completar? Eu tenho e te dou!”.

Êta momento emocionante.

No outro dia, ele voltou com a carta que me faltava e a felicidade não cabia no meu peito. O resumo da ópera é que cheguei em casa e descobri que a perna que eu não tinha era, na verdade, a esquerda. Ou seja, a partir daquele momento eu tinha o Exódia mas com duas pernas direitas. Como fiquei com vergonha de contar pro cara e perguntar se ele tinha a outra carta pra me dar, então ficou por isso mesmo.

De qualquer forma, mantive todas as minhas cartas até meados de 2013 ou 2014, quando namorava uma garota que era muito fã da série e não possuía carta nenhuma. No meu bom coração de namorado, peguei-a admirando meu baralho velho e como eu mesmo não tocava nele há anos decidi simplesmente DÁ-LO. Uns meses depois terminamos, e ela até tentou me devolver mas eu estava numa onda de “nah, dane-se, pode ficar”, então acabou sendo esse meu último encontro com Yu-Gi-Oh!, mas ó, só lembrança maravilhosa.

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Como está sendo, afinal, cursar Cinema

Sexta-feira passada (dia 05) aconteceram duas coisas importantíssimas no Rio de Janeiro: a abertura das Olímpiadas, e minhas férias que finalmente começaram. Isso significa que o primeiro semestre/período da faculdade de Cinema e Audiovisual que estou cursando na UFF acabou, e eu tenho algumas coisas pra relatar aqui.

Seguinte, acabei de sair do Ensino Médio e não fazia a menor ideia de como funcionava um curso universitário, então os pontos que vou levantar aqui são exatamente os que cansei de pesquisar antes de fazer minha inscrição e não encontrei: afinal, o que diabos acontece num curso de Cinema?

Não assistimos tantos filmes quanto achei que assistiríamos

Antes de entrar, minha ideia mais básica de como seria o curso era de que nós assistiríamos incontáveis filmes e os professores explicariam sobre os processos de produção. Pensava que o ponto da coisa toda era estudar como os filmes são feitos, e que não teria jeito melhor do que analisá-los.

Rapidamente percebi que isso não acontece, e o porquê acabou sendo bastante óbvio. Em primeiro lugar, o problema do tempo: a maioria dos longa-metragem tem entre 1:30h e 2h, o que significa que se nós assistíssemos a um por aula já não restaria tempo pro professor ensinar nada. Quer dizer, você pode ler um livro de 100 páginas em um dia ou em uma semana, mas um filme de duas horas sempre vai levar duas horas pra ser assistido.

Esse problema do tempo limita bastante o número de longas que vemos, porque ou usamos a aula pra ver filme ou usamos a aula pra ouvir o professor falar, sabe? O resultado é que não assistimos tantos longas quanto esperava, e no fim das contas acabamos vendo muitos (muitos mesmo) curta-metragens e fragmentos (a cena que importar para a aula) de longas.

Mas calma que isso se resolve de outro jeito: muitas recomendações e indicações

A parte boa de assistir trechos de longas ou curtas metragens é que em três minutos você descobre a existência de um filme excelente que era totalmente desconhecido. Sempre anoto de onde vem as cenas que vemos em sala para poder ver o filme completo em casa, com isso pude assistir filmes ótimos que não passam na TV e nem são recomendados por amigos.

Aliás…

Muita interação fora de sala

Nós temos muitos grupos no Whatsapp e no Facebook. Muitos mesmo: tem grupo pra cada matéria, tem grupo pra quem é calouro, tem grupo pra quem é do curso, tem grupo só pra quem cursa licenciatura… E é tudo bastante ativo.

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Imagino que em 2016 esse tipo de interação aconteça em todos os cursos, mas no de Cinema você tem o bônus de ser informado de inúmeros eventos que acontecem na cidade. Eu não fazia ideia que aconteciam tantas mostras culturais, exibições gratuitas e cineclubes por aí.

Percebe? Por um lado nós não assistimos muitos filmes em sala, mas fora dela só fica sem assistir filme quem quer (ou quem não tem tempo, evidentemente). Os próprios professores e os alunos divulgam essas coisas, e destaco que a quantidade é realmente surpreendente. Se eu que mal converso com as pessoas recebo tantos convites pra eventos no Facebook, imagino aqueles caras que são amigos de todo mundo.

Ah, e esse tipo de interação entre os alunos que acontece nas redes sociais vai além do consumo de filmes e entra também na produção. Sempre vejo nas timelines algum pedido/oportunidade de participar de alguma gravação: é muito comum que algum aluno esteja fazendo algum filme e precise de ajuda com alguma função, e é muito mais fácil simplesmente pedir ajuda de outros alunos que sair por aí procurando um profissional que cobre fortunas e tudo mais.

Incentivo e suporte à produção

Então, eu particularmente tô no curso pra aprender – minha intenção é muito mais colocar ideias na minha cabeça do que tirar elas de lá –, mas já deu pra notar que o pessoal afim de produzir tá num ótimo lugar.

Em primeiro lugar tem os dois pontos que já citei: a interação é tão grande que é muito fácil conseguir outros alunos interessados em ajudar na filmagem, e através deles você também vai ficar sabendo de muitas oportunidades de concursos publicos/privados que financiarão sua produção, mostras para inscrever seus filmes e tudo mais.

Em segundo lugar, há de se destacar que a própria universidade dá um incentivo bem bacana. A UFF tem equipamentos de filmagem que os alunos podem acessar gratuitamente, mas é claro que, como existem mais pessoas querendo usá-los do que equipamentos disponíveis, é preciso enfrentar certa burocracia pra isso, até porque os alunos usando os equipamentos pra atividades de sala de aula tem prioridade pra uso e tudo mais.

Além das câmeras e microfones, eles também oferecem espaço pra exibir. Existem algumas salas com projetores que os alunos podem simplesmente agendar um horário e exibir seus próprios filmes. Inclusive, sempre vejo nos grupos de Facebook algum aluno convidando pra exibição de seu filme.

É curioso ver a quantidade de filmes produzidos por alunos da universidade que são exibidos na universidade, filmados na universidade e com equipamentos da universidade. É algo que acontece com tanta frequência que vez ou outra ouço alguma história de alguém que faz tudo pra não se formar, simplesmente porque fora da faculdade é mais difícil de produzir do que dentro dela.

A conclusão é que, apesar de não ser minha intenção, o curso de Cinema é definitivamente um bom lugar pra você estar se sua intenção for colocar a mão na massa e gravar algum filme.

A maior parte do conhecimento não vem do professor: debates, muitos debates

Depois de todos esses anos no Ensino Fundamental e Ensino Médio, a palavra “aula” traz à minha mente a imagem de um professor tentando transmitir algum de seus conhecimentos para os alunos. Agora estou espantado porque percebi que a faculdade funciona exatamente do jeito contrário.

De todo o tempo que passamos estudando algum assunto em sala de aula, só uma parte muito pequena consiste no professor dando explicações. Geralmente ele só escolhe um assunto, pede pra lermos alguns textos em casa e quando chega a hora da aula todo mundo discute.

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influência gritante desse cidadão: Paulo Freire.

E, assim, discussão mesmo, cara. Os alunos dão seus pontos de vista, argumentos, rebatem uns aos outros, e por aí vai. Nunca tinha visto esse tipo de coisa acontecer na escola, mas o fato é que a maior parte das coisas que aprendi na faculdade vieram de outros alunos e não do professor em si.

Dos professores que tive até agora, só um usa o método clássico de ensinar (parar na frente do quadro e dar explicações), mas mesmo assim é comum a aula dele ser interrompida por alguma troca de ideias com os alunos. Aliás, isso me faz pensar que não deve ser assim em todos os cursos: penso que deve ser algo com os cursos artísticos. Digo, não sei, Pintura, Cinema, Música, Poesia… Meio que não tem um jeito certo de fazer pro professor poder ensinar. Cada qual faz da sua maneira e o que dá pra fazer é promover uma troca de ideias, imagino.

De qualquer forma, por um lado dá pra dizer que definitivamente funciona, porque com esse método eu consegui aprender bastante sobre todos os assuntos levantados pelos professores. Mas por outro lado, percebo que perdemos bastante coisa porque nossos professores parecem todos muito capacitados. No meio das conversas dá pra notar que eles sabem bastante sobre Cinema, mas com esse esquema de debates eles só falam quando são perguntados ou quando o assunto surge. Dá a impressão que se as aulas fossem do jeito tradicional eles conseguiriam ensinar muito mais coisas.

Mas quer saber? Isso faz das aulas bem mais interessantes. Poucas vezes fico com vontade de dormir ou com os pensamentos em outros lugares. Em outras palavras, as aulas do curso de Cinema são bem mais legais que as aulas do Ensino Médio, não só por ser uma área que me interessa, mas principalmente pelo jeito que os professores fazem o trabalho deles.

Enfim, senhores… Por enquanto o que tenho pra relatar das aulas Cinema e Audiovisual é isso: não assisti muitos longas em sala, passei a conhecer alguns filmes excelentes através das infinitas recomendações, os alunos estão o tempo todo produzindo porque dentro da universidade isso é bem mais fácil do que fora, e as aulas são baseadas em trocar ideias.

Resumindo tudo, tá sendo bem legal. Se você caiu nesse post querendo saber se vale a pena ou não, minha impressão depois desse primeiro semestre é a de que curso é bastante, digamos, útil, tanto pra quem quer puramente aprender quanto pra quem quer botar a mão na massa e filmar algo – então pode ir sem medo de se arrepender, eu diria. No fim do próximo semestre eu volto aqui pra contar se algo mudou ou se reparei em coisas novas. :)

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Mais uma vez fui apunhalado nas costas por um backup

Certa feita fui copiar do celular pro computador uma série de arquivos que não poderia perder de jeito nenhum e acabei perdendo todos eles porque o cartão de memória se corrompeu enquanto o backup acontecia. Assim, aprendi uma importante lição: além de fazer a maldita cópia de segurança, vulgo backup, sempre manter mais de uma e em mais de um lugar.

Esse mês aprendi que isso não é o suficiente.

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Seguinte, passei o começo desse ano e parte do ano passado escrevendo textos-reservas pra esse blog. Na minha missão de publicar pelo menos um texto a cada sete dias, tentei deixar alguns textos já escritos pro caso de em alguma semana não conseguir produzir nada.

Quando terminei de me mudar pra Niterói e finalmente pude voltar com o blog, fui lá eu subir o backup pro servidor, e pra minha surpresa os posts que eu havia escrito não estavam lá. Fiz vários testes, tentei subir as outras cópias do backup que mantinha noutros lugares, e nada.

Percebe? Não é que os arquivos backupeados estavam corrompidos, é que eles estavam incompletos. O sistema que fazia a cópia de segurança só copiou metade de tudo, e eu não percebi. O backup estava lá, mas pela metade.

Resultado: perdi uns trinta textos. Trinta. Tê erre í ene tê á. 30.

Fiquei bem triste, tipo assim, tristão.

E estressadão, também.

De qualquer forma, agora esse é meu método de lidar com backups (fica a dica):

  1. Fazer a cópia.
  2. Checar se a cópia foi feita com sucesso. [Novo™]
  3. Fazer cópia das cópias em vários dispositivos diferentes.
  4. Fazer upload em algum site, no momento uso Dropbox pra isso.