Frio pra caralho aqui em RONDÔNIA

Em primeiro lugar, aqui é tão quente quanto o quente pode ser. O tempo todo, puta que me pariu. Deve estar fazendo uns 20º agora e eu já tô envolto numa blusa de frio e num edredom.

Eu só quero que esse frio  dure até segunda-feira (pra quem vive no inferno integralmente, qualquer soprinho é “frio”, né?). Desde o início do ano que eu tô planejando ir na escola usando minha camisa de frio com capuz (se parece com isso), óculos escuros e boné, só estou esperando dar uma caída nas temperaturas pra ter uma desculpa coringa. Se acontecer, conto aqui como foi.

Bom fim de semana, seus descoordenados que leem esse site. Grato.

Nota: vou tentar escrever pelo menos um post por semana de agora em diante.

O dia em que eu “fugi” de casa

Pra falar a verdade eu não fiz isso só uma vez, mas essa em especial é a que julgo mais interessante e digna de ser postada aqui.

Então, meus pais são separados desde os meus três ou quatro anos (não tenho nenhuma lembrança deles juntos, por exemplo) e sempre vivi com minha mãe. Até teve uma época em que eu alternava, ficava um dia com meu pai e outro com minha mãe, mas foi um período curto porque depois disso meu pai foi preso e tá lá até hoje, vez em quando ele sai, faz uma cagada e volta a ver o sol nascer quadrado. Tenho um milhão de histórias FODAS com ele, mas por sinal vou ter que esperar ele morrer pra contar pros outros.

Como ia dizendo, sempre morei com minha mãe e consequentemente acabei convivendo com um ou outro namorado dela. Nessa época eu tinha uns 5, 6 ou talvez até 7 anos, e morava com minha mãe num quarto na casa da minha avó. Eventualmente, esse namorado dela mantinha algum contato comigo, me levava pra um lugar ou outro etc e tal, principalmente porque minha mãe trabalhava num mercado e não podia ficar o dia inteiro comigo ou fazendo coisas pra mim.

Teve esse dia em que ele tinha uma tarefa muito simples: me buscar. Sério, ele só tinha UM trabalho a fazer e conseguiu falhar MISERAVELMENTE. Fiquei horas esperando o cara, tinha até colocado cueca, calção e camisa numa sacolinha, pro caso de precisar tomar banho na casa dele. Poxa vida, coloquei todos os meus sonhos e esperanças naquele cidadão e ele… vacilou.

Aí, rapaz, eu não sei que loucura que me deu na cabeça, mas eu pensei lá: “Não vou ficar aqui com minha vó, não. Era pro cara ter vindo me pegar, ele não veio então vou ir procurar minha mãe que ela deve saber o que fazer”. Assim, o plano por si só era genial, pra não dizer infalível… pra não dizer infalível porque eu não contava com a Mãe Natureza.

Aqui em Rondônia, o negócio é o seguinte: entre Novembro e Março chove como se o mundo estivesse acabando. Esse ano, por exemplo, o estado já foi quase devorado pelas inundações.

É, eu resolvi fugir de casa num dia entre novembro e março.

Uma criança de 6 anos correndo na rua, atravessando a cidade no meio de um dilúvio. Não lembro de muita coisa dessa fuga, só lembro de quase ter sido levado várias vezes pela correnteza nas ruas. Pensando agora, várias pessoas viram um molequinho sendo levado pela água e ninguém ajudou. Eu, hein.

Enfim, com muito esforço consegui chegar no mercado que minha mãe trabalhava. Táva que nem um mendigo, todo cheio de lama, todo molhado, fedido e tudo mais. Lembro que os funcionários me levaram pra um banheiro, me deram um banho e me vestiram em uma camisa de uniforme. Não achei nenhuma imagem que ilustrasse a situação, pra finalizar esse texto, então fiz eu mesmo um desenho:

fugacamisa

Nota

Fiz uma cirurgia e foi MUITO LOUCO

Ao contrário dessa galera de hoje, coloquei aparelho contra minha vontade e foi horrível. Nasci com as presas mais ou menos assim:

itazura dramas (4)

Aí naturalmente tive que usar aquele aparelho dentário pra corrigir. Hoje em dia sou estilo piano, apesar de ter usado o negócio por dois anos e tirado antes da hora (não aguentava mais e enchi o saco do pessoal até tirarem, mesmo com o dentista falando com absoluta certeza que meus dentes voltariam pro lugar errado e todo o tratamento teria sido em vão – ele se enganou e tá tudo certo até hoje).

Mas o ponto mais interessante dessa história toda foi o momento pré-aparelho. Antes de colocar, você tem que fazer vários exames, até pra tirarem moldes da sua boca etc e tal. Só que em um desses exames descobriram que eu tinha um dente dentro da gengiva, mas ele estava pequeno e se crescesse ia trazer complicações grandes, portanto resolveram marcar uma cirurgia simples de remoção.

Num primeiro momento eu fiquei MUITO excitado com a ideia de fazer uma cirurgia. Eu seria o único da minha idade a ter feito algo do tipo (dentro do grupinho que eu conhecia, lógico), ia ser uma puta experiência. O problema é que eu só fiquei excitado até ver o médico que ia me operar.

Mano, o cara tinha uns trinta metros de altura, falava tudo errado, fedia, sei lá. Cara bizarro, na hora achei que ele ia me operar no estilo “não faço a menor ideia do que tô fazendo” e no fim das contas eu ia morrer. Lembro que chorei muito, tentei resistir o máximo possível, tentei correr, tentei fazer pirraça… me fizeram inalar um gás e me colocaram todo calmão na cama.

ESSE GÁS. Esse gás foi o segundo melhor momento da cirurgia, porque com ele eu não estava dormindo e nem estava acordado, eu só estava extremamente relaxado, tanto que conseguia ouvir perfeitamente as pessoas ao meu redor e até ver os médicos fazendo as coisas por lá, mas ao mesmo tempo eu tinha umas alucinações sinistras. Lembro de, na minha cabeça, estar em um lugar todo escuro com um lago muito grande, correndo pra todos os lados e vendo alguns personagens de desenhos animados que assistia. Depois da cirurgia minha mãe ficou falando que aquelas sensações eram as mesmas de quando alguém fuma, e, por isso, eu não devia fumar.

Só que, pra mim, o melhor momento foi quando eu VOMITEI. Eu vomitei enquanto extraiam um dente de dentro da minha gengiva. É tipo a mulher cagar enquanto faz anal com o marido, sabe?

Foi legal porque uma enfermeira teve que limpar a cadeira vomitada e eu vi o ódio nos olhos dela. Foi legal porque o médico teve que tirar arroz do buraco que ele abriu na minha gengiva. Foi legal porque ele disse “Tem mais?” e eu respondi “Tem! BLARRRGGHH”. Foi legal demais esse dia.

Pedaços de madeira viajam mais rápido que o som: quando quase matei meu primo

Eu já expliquei em outro post que costumava passar MUITO tempo com meus primos, e desses encontros surgiram dezenas de histórias boas. Uma que me apareceu agora na cabeça foi do dia em que quase matei meu primo mais novo com um CABO DE VASSOURA.

picapauvassoura

Ok, o negócio é um pouco mais complexo e eu nem lembro exatamente o motivo que me chegou a fazer aquilo. Provavelmente porque me divertia muito ver outras pessoas se machucando.
Como também já contei em outro post, eu moro em Rondônia e aqui tem mato pra tudo que é lado. Nesse dia estávamos na casa da nossa avó (materna) e havia um terreno abandonado ao lado da casa, com todo tipo de planta que você pode imaginar, junto com um pequeno córrego formado pela água da chuva e por tudo que os vizinhos descartavam. Como um esgoto em pequena escala.

A gente brincava lá.

Mas criança tem uma imaginação dos infernos, né? A gente chamava o lugar de “O SANITÁRIO” e ele era visto como uma entidade divina com força superior e incompreensível à todos nós. Vez ou outra chegávamos a jogar no tal córrego algumas frutas e bens materiais que encontrávamos no chão do lugar, como forma de agradar, agradecer e cultuar o Sanitário.

Fiz um mapa do lugar. Olha:

mapasanitario

(MAIOR complicado fazer esse “mapa”. Tinha feito um desenho lindo, mas o Photoshop fechou e tive que refazer. Morra, Photoshop, morra)

Então, aconteceu que meus dois primos estavam cultuando o córrego do sanitário e eu estava naquela parte em que ficavam os restos de uma casa abandonada, ou seja, eles estavam de costas para mim, uns 20 metros de distância na minha frente.

Pelo fato do terreno ser abandonado e baldio, os vizinhos jogavam lá tudo que é tipo de lixo, e vez em quando a gente achava algo útil pra brincar. Como tal, achei algo útil, só não para brincar: um cabo de vassoura. Eu sinceramente não faço a menor ideia de que diabos me deu na cabeça que de uma hora pra outra fiquei com uma vontade incontrolável de jogar aquilo nos meus primos. Escolhi o mais novo e joguei. Ao mesmo tempo em que fiz o movimento com as mãos para arremessar a madeira, gritei “CUIDADO”. Ilustrei a situação:

pedacodepau

Apesar de ter lançado o cabo de vassoura ao mesmo tempo em que gritava “cuidado”, a madeira chegou antes do som. Meu primo não conseguiu ouvir meu grito avisando-o do perigo, muito menos desviar de meu ataque. Naturalmente, a próxima cena foi essa:

pedacodepau2

Logicamente que eu comecei a rir como se fosse o último dia da minha vida.

Rapaz, eu só lembro do garoto pegando o cabo de vassoura no chão, colocando uma mão no pescoço, virando em minha direção e BUFANDO DE RAIVA. Esse dia foi épico. Enquanto ele tentava se tornar lúcido novamente, eu corria o mais rápido que podia. Corria pela minha vida. Determinado momento ele começou a ANDAR atrás de mim. Eu não sei que diabo aconteceu, mas eu corria como um ninja e ele vinha andando atrás de mim, e por incrível que pareça estava sempre na minha cola. Depois disso eu nem lembro de muita coisa, mas no fim das contas ele nem se vingou e esse foi certamente um dos dias da minha vida em que mais ri.

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