Nota

Fiz uma cirurgia e foi MUITO LOUCO

Ao contrário dessa galera de hoje, coloquei aparelho contra minha vontade e foi horrível. Nasci com as presas mais ou menos assim:

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Aí naturalmente tive que usar aquele aparelho dentário pra corrigir. Hoje em dia sou estilo piano, apesar de ter usado o negócio por dois anos e tirado antes da hora (não aguentava mais e enchi o saco do pessoal até tirarem, mesmo com o dentista falando com absoluta certeza que meus dentes voltariam pro lugar errado e todo o tratamento teria sido em vão – ele se enganou e tá tudo certo até hoje).

Mas o ponto mais interessante dessa história toda foi o momento pré-aparelho. Antes de colocar, você tem que fazer vários exames, até pra tirarem moldes da sua boca etc e tal. Só que em um desses exames descobriram que eu tinha um dente dentro da gengiva, mas ele estava pequeno e se crescesse ia trazer complicações grandes, portanto resolveram marcar uma cirurgia simples de remoção.

Num primeiro momento eu fiquei MUITO excitado com a ideia de fazer uma cirurgia. Eu seria o único da minha idade a ter feito algo do tipo (dentro do grupinho que eu conhecia, lógico), ia ser uma puta experiência. O problema é que eu só fiquei excitado até ver o médico que ia me operar.

Mano, o cara tinha uns trinta metros de altura, falava tudo errado, fedia, sei lá. Cara bizarro, na hora achei que ele ia me operar no estilo “não faço a menor ideia do que tô fazendo” e no fim das contas eu ia morrer. Lembro que chorei muito, tentei resistir o máximo possível, tentei correr, tentei fazer pirraça… me fizeram inalar um gás e me colocaram todo calmão na cama.

ESSE GÁS. Esse gás foi o segundo melhor momento da cirurgia, porque com ele eu não estava dormindo e nem estava acordado, eu só estava extremamente relaxado, tanto que conseguia ouvir perfeitamente as pessoas ao meu redor e até ver os médicos fazendo as coisas por lá, mas ao mesmo tempo eu tinha umas alucinações sinistras. Lembro de, na minha cabeça, estar em um lugar todo escuro com um lago muito grande, correndo pra todos os lados e vendo alguns personagens de desenhos animados que assistia. Depois da cirurgia minha mãe ficou falando que aquelas sensações eram as mesmas de quando alguém fuma, e, por isso, eu não devia fumar.

Só que, pra mim, o melhor momento foi quando eu VOMITEI. Eu vomitei enquanto extraiam um dente de dentro da minha gengiva. É tipo a mulher cagar enquanto faz anal com o marido, sabe?

Foi legal porque uma enfermeira teve que limpar a cadeira vomitada e eu vi o ódio nos olhos dela. Foi legal porque o médico teve que tirar arroz do buraco que ele abriu na minha gengiva. Foi legal porque ele disse “Tem mais?” e eu respondi “Tem! BLARRRGGHH”. Foi legal demais esse dia.

Pedaços de madeira viajam mais rápido que o som: quando quase matei meu primo

Eu já expliquei em outro post que costumava passar MUITO tempo com meus primos, e desses encontros surgiram dezenas de histórias boas. Uma que me apareceu agora na cabeça foi do dia em que quase matei meu primo mais novo com um CABO DE VASSOURA.

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Ok, o negócio é um pouco mais complexo e eu nem lembro exatamente o motivo que me chegou a fazer aquilo. Provavelmente porque me divertia muito ver outras pessoas se machucando.
Como também já contei em outro post, eu moro em Rondônia e aqui tem mato pra tudo que é lado. Nesse dia estávamos na casa da nossa avó (materna) e havia um terreno abandonado ao lado da casa, com todo tipo de planta que você pode imaginar, junto com um pequeno córrego formado pela água da chuva e por tudo que os vizinhos descartavam. Como um esgoto em pequena escala.

A gente brincava lá.

Mas criança tem uma imaginação dos infernos, né? A gente chamava o lugar de “O SANITÁRIO” e ele era visto como uma entidade divina com força superior e incompreensível à todos nós. Vez ou outra chegávamos a jogar no tal córrego algumas frutas e bens materiais que encontrávamos no chão do lugar, como forma de agradar, agradecer e cultuar o Sanitário.

Fiz um mapa do lugar. Olha:

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(MAIOR complicado fazer esse “mapa”. Tinha feito um desenho lindo, mas o Photoshop fechou e tive que refazer. Morra, Photoshop, morra)

Então, aconteceu que meus dois primos estavam cultuando o córrego do sanitário e eu estava naquela parte em que ficavam os restos de uma casa abandonada, ou seja, eles estavam de costas para mim, uns 20 metros de distância na minha frente.

Pelo fato do terreno ser abandonado e baldio, os vizinhos jogavam lá tudo que é tipo de lixo, e vez em quando a gente achava algo útil pra brincar. Como tal, achei algo útil, só não para brincar: um cabo de vassoura. Eu sinceramente não faço a menor ideia de que diabos me deu na cabeça que de uma hora pra outra fiquei com uma vontade incontrolável de jogar aquilo nos meus primos. Escolhi o mais novo e joguei. Ao mesmo tempo em que fiz o movimento com as mãos para arremessar a madeira, gritei “CUIDADO”. Ilustrei a situação:

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Apesar de ter lançado o cabo de vassoura ao mesmo tempo em que gritava “cuidado”, a madeira chegou antes do som. Meu primo não conseguiu ouvir meu grito avisando-o do perigo, muito menos desviar de meu ataque. Naturalmente, a próxima cena foi essa:

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Logicamente que eu comecei a rir como se fosse o último dia da minha vida.

Rapaz, eu só lembro do garoto pegando o cabo de vassoura no chão, colocando uma mão no pescoço, virando em minha direção e BUFANDO DE RAIVA. Esse dia foi épico. Enquanto ele tentava se tornar lúcido novamente, eu corria o mais rápido que podia. Corria pela minha vida. Determinado momento ele começou a ANDAR atrás de mim. Eu não sei que diabo aconteceu, mas eu corria como um ninja e ele vinha andando atrás de mim, e por incrível que pareça estava sempre na minha cola. Depois disso eu nem lembro de muita coisa, mas no fim das contas ele nem se vingou e esse foi certamente um dos dias da minha vida em que mais ri.

Fui o pior vendedor de DIM-DIM do mundo

Antes dos dez anos de idade, a coisa com a qual eu mais gastava minha grana era videogame. Qualquer trocado que eu conseguia era imediatamente torrado em uma ou duas horas numa Lan House de computadores e PS1/2. Naturalmente, esse dinheiro vinha sempre do meu pai, da minha mãe, de algum tio ou qualquer coisa do tipo, mas um dia me surgiu uma ideia que poderia me livrar dessa dependência familiar: vender dim-dim. Eu sei que o nome muda em cada lugar do país, mas estou falando disso:

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Empreendimento milionário, como pode imaginar.

Comprei lá o material necessário pra fabricar o produto. Paguei R$ 2,50 no dim-dim em sí, se me lembro bem. Fora isso, arrumei uma caixa de isopor, preparei tudo e fui no lavador de carros/bar ao lado da minha casa vender o tal dim-dim para as centenas de pessoas que passavam por lá diariamente.

O primeiro dia foi um sucesso e não ocorreu nenhum problema. O complicado, mesmo, foi no segundo dia… Cheguei lá no lavador, já conhecido como “O menino que vende dim-dim” e tentei fazer meu negócio. O fato marcante desse dia é que um dos senhores comprou TODOS os dim-dims. Estava no local para vender meu produto e conseguir dinheiro, mas um velho me pagou e levou todos de uma vez só!

Logicamente, eu comecei a chorar e corri para o meio do matagal que ficava do outro lado da minha casa. Fiquei escondido lá por uns bons quarenta minutos, engasgando no choro. Lembro que até ouvia várias pessoas me procurando, gritando meu nome e tudo mais, quando meu pai saiu derrubando aqueles matos na base do chute e me achou lá no meio, chorando. Todo mundo me perguntando porque eu estava daquele jeito, qual era o grande problema em ter vendido todos os dim-dims de uma vez só…

Pra mim a resposta parecia óbvia, mas aparentemente só pra mim, mesmo. Como será que aquele pessoal não notou que se o senhor comprou tudo que eu tinha, eu consequentemente fiquei sem mais nada pra vender?

Explicando o motivo de eu odiar galinhas

Quem me conhece sabe que eu odeio galinhas, tenho medo e tenho nojo desses animais malditos. Gostaria de descrever um dia da minha vida que explica o porquê de tanta revolta.

pirata (Ilustração de um antepassado sofrendo de problemas semelhantes. Minha família é perseguida há gerações)

Quando era mais novo, gostava muito de passar os fins de semana com meus primos. Um era (é) dois anos mais velho e o outro um ano mais novo que eu, então sempre tivemos os mesmos interesses e conseguíamos nos divertir muito bem quando estávamos juntos.

Pela distância, nós dificilmente nos encontrávamos na casa de um de nós três. Ao invés disso, nós nos encontrávamos na metade do caminho: na casa da nossa avó. Essa minha avó, diga-se de passagem, é do tipo que teve oito filhos e ainda sustenta e mora com a maioria, então o local estava (está, na verdade) sempre cheio de gente e coisa pra fazer.

Era um costume nosso ir sempre de bicicleta para esses lugares, para garantir que se a gente quisesse ir para outro, isso fosse algo fácil de se fazer. Especificamente nesse dia, nós fomos guardar nossas bicicletas no fundo do quintal, e logicamente que para fazer isso nós precisávamos atravessar ele todo. O problema: o quintal era gigante e existiam várias armadilhas pelo caminho, como barro, buracos, vidros, cães e principalmente galinhas.

Minto, esse não era o problema. O problema era que os filhotes de uma dessas galinhas haviam acabado de nascer, ou seja, ela botou os ovos, os pintinhos nasceram e ela estava cuidando deles. Quando uma galinha tem filhotes, ela ataca qualquer um que pareça uma ameaça para eles – caso você não saiba.

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(Estudos sugerem que galinhas são parentes próximas do T. Rex)

Pois bem, estava eu lá, atravessando o vale das sombras, andando e empurrando minha bicicleta com a mão esquerda quando de repente surge um desses terríveis animais. Quer dizer, uma miniatura: um filhote passou caminhando na minha frente. Como um ninja, pensei que “se tem um filhote, tem uma mãe, e eu definitivamente não vou querer me meter com ela” e parei. Esperei silenciosamente o pequenino passar na minha frente, devia estar há mais de metro de distância, mas aparentemente isso não foi o suficiente para a mãe dele, que voou em minha direção e novamente eu cito a ilustração do meu antepassado:

pirata

A filha da puta grudou com os pés no meu ombro, mas diferentemente do papagaio do pirata, que fica calmo, responde seus amigos e ainda xinga seus inimigos, ela começou a atacar minha orelha com o bico.

Rapaz, foi horrível. Um animal gigante pendurado no meu ombro, tentando me devorar vivo, bicando minha orelha e tudo mais. E isso tudo a troco de nada, já que eu nem perto cheguei do seu filhote. Eu odeio galinhas.

Literalmente matei meu avô jogando futebol

Eu tive um dos avôs mais maneiros do mundo, mas infelizmente isso não durou uns seis ou sete anos. O velho morreu cedo. Apesar dele levar um estilo de vida que certamente o faria morrer antes das outras pessoas (passava as noites em um boteco na esquina de casa, fumava o dia inteiro e por aí vai), ele morreu mesmo foi por culpa minha.

Pra você ter uma ideia, o cara era tão legal que eu já entrei na escola sabendo ler e escrever porque ele me ensinou em casa. Pré I, II e III, todo mundo lá morrendo de dor de cabeça pra aprender a ler e eu já sabia. Ele também me ensinou a somar e subtrair desde antes da escola, ou seja, se em algum momento eu conseguir algo na minha vida através do conhecimento que tenho, eu certamente estarei devendo isso a ele.

Apesar dele ter sido meu grande formador, acredito que de todas as coisas que ele fazia, duas se destacavam: balões e futebol. Sobre os balões, acontece que na minha cidade semanalmente é feita uma feira, e ele sempre me levava nessa feira só pra comprar um daqueles balões que flutuam (com hélio), aí a gente amarrava uma linha de pipa no balão e deixava ele subir. Essa era a grande diversão da minha vida na época, ao lado do futebol.

Ele comprou uma bola pra gente brincar, daquelas “bolas de leite”, que são feitas justamente pra criança. Era a tarde inteira chutando bola na varanda de casa. Todo santo dia eu ia para uma extremidade da varanda e ele para a outra, com a bola no meio, e aí a brincadeira começava.

Teve esse dia, especificamente, em que estávamos correndo e trocando de posição enquanto a pelota era tocada, mas de repente ele parou sem falar nada, ficou ofegante e sentou num banco que ficava ao lado da varanda. Eu continuei chutando minha bola, achando que ele estava apenas descansando ou algo do tipo… foi quando ele levantou e foi no banheiro, fechou a porta e do nada eu vi a irmã dele (que morava com a gente) desesperada, juntando uma papelada e mandando eu chamar meu pai. Mas meu pai não estava em casa, ele estava num bosque que ficava dois quartões abaixo, então eu tive que correr lá e chamar meu pai: “Tá tendo algum problema com o vô, pediram pra te chamar” e o cara saiu correndo que nem um ninja.

Chegamos em casa e a irmã do meu avô igualmente desesperada enquanto meu pai pedia ajuda para uma vizinha. Essa vizinha cedeu um carro para que meu avô fosse levado ao hospital, mas como ele não tinha condições de andar até o carro meu pai o pegou pelos braços e colocou no carro. Mais tarde eu recebi a infeliz notícia que meu avô morreu nos braços do meu pai, dentro do carro, antes mesmo de ser levado ao hospital.

Enquanto meu pai carregava meu avô, eu fui verificar o banheiro e vi sangue no vaso. Até hoje eu não encontrei uma explicação lógica para meu avô ter cagado sangue, mas enfim: o velho foi jogar futebol comigo, fez um esforço a mais, o coração acelerou, ele teve uma parada cardíaca e morreu.

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