Explicando o motivo de eu odiar galinhas

Quem me conhece sabe que eu odeio galinhas, tenho medo e tenho nojo desses animais malditos. Gostaria de descrever um dia da minha vida que explica o porquê de tanta revolta.

pirata (Ilustração de um antepassado sofrendo de problemas semelhantes. Minha família é perseguida há gerações)

Quando era mais novo, gostava muito de passar os fins de semana com meus primos. Um era (é) dois anos mais velho e o outro um ano mais novo que eu, então sempre tivemos os mesmos interesses e conseguíamos nos divertir muito bem quando estávamos juntos.

Pela distância, nós dificilmente nos encontrávamos na casa de um de nós três. Ao invés disso, nós nos encontrávamos na metade do caminho: na casa da nossa avó. Essa minha avó, diga-se de passagem, é do tipo que teve oito filhos e ainda sustenta e mora com a maioria, então o local estava (está, na verdade) sempre cheio de gente e coisa pra fazer.

Era um costume nosso ir sempre de bicicleta para esses lugares, para garantir que se a gente quisesse ir para outro, isso fosse algo fácil de se fazer. Especificamente nesse dia, nós fomos guardar nossas bicicletas no fundo do quintal, e logicamente que para fazer isso nós precisávamos atravessar ele todo. O problema: o quintal era gigante e existiam várias armadilhas pelo caminho, como barro, buracos, vidros, cães e principalmente galinhas.

Minto, esse não era o problema. O problema era que os filhotes de uma dessas galinhas haviam acabado de nascer, ou seja, ela botou os ovos, os pintinhos nasceram e ela estava cuidando deles. Quando uma galinha tem filhotes, ela ataca qualquer um que pareça uma ameaça para eles – caso você não saiba.

galinhossauro

(Estudos sugerem que galinhas são parentes próximas do T. Rex)

Pois bem, estava eu lá, atravessando o vale das sombras, andando e empurrando minha bicicleta com a mão esquerda quando de repente surge um desses terríveis animais. Quer dizer, uma miniatura: um filhote passou caminhando na minha frente. Como um ninja, pensei que “se tem um filhote, tem uma mãe, e eu definitivamente não vou querer me meter com ela” e parei. Esperei silenciosamente o pequenino passar na minha frente, devia estar há mais de metro de distância, mas aparentemente isso não foi o suficiente para a mãe dele, que voou em minha direção e novamente eu cito a ilustração do meu antepassado:

pirata

A filha da puta grudou com os pés no meu ombro, mas diferentemente do papagaio do pirata, que fica calmo, responde seus amigos e ainda xinga seus inimigos, ela começou a atacar minha orelha com o bico.

Rapaz, foi horrível. Um animal gigante pendurado no meu ombro, tentando me devorar vivo, bicando minha orelha e tudo mais. E isso tudo a troco de nada, já que eu nem perto cheguei do seu filhote. Eu odeio galinhas.