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Fui o pior mecânico de carrinhos da Hot Wheels do mundo

Já cheguei a contar aqui da vez em que troquei algumas cartas raras de Yu-Gi-Oh! que eu tinha por alguns carrinhos quebrados da Hot Wheels, e isso já explica o quanto eu gostava desses brinquedos.

Vale destacar que no alto dos meus nove ou dez anos existia toda uma cultura da Hot Wheels, toda uma apreciação em volta da marca. Lembro que eu e meus amigos sempre ficávamos desenhando os carros do desenho que passava na TV, todo mundo tinha um caderno da Hot Wheels, uma mochila da Hot Wheels, uma sandália da Hot Wheels… mas nada mais cultuado que os colecionáveis.

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Parte mais interessantes de uma loja de brinquedos. Ano: uns dez atrás.

Custavam R$ 4,99 cada, e comprei tantos que nem sei dizer exatamente quantos, mas definitivamente foram muitos. O ponto é que todo mundo comprava, então existia aquele momento de sair da aula com os amigos e ir lá comprar os carrinhos, ficar escolhendo entre trocentos modelos, admirando os com design mais louco possível e no fim das contas escolher os carrinhos que mais pareciam com carros de verdade.

E, bem, digamos que não dava pra fazer muita coisa com esses carrinhos. A coisa toda era meio sem sentido.

Sempre víamos na TV aquelas pistas e parques de brinquedos personalizados, mas como a gente não achava pra vender (e mesmo se achássemos, custaria os olhos da cara) não ficava outra opção a não ser comprar os carrinhos e não ter nada pra fazer com eles. Eu tinha alguns amigos que nem tiravam da embalagem, na verdade: só compravam e deixavam lá guardado, como colecionável mesmo.

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ESSAS PISTAS MALDITAS que a gente só via nos comerciais do SBT. Sem elas os carrinhos não tinham sentido.

Eu achava isso imbecil. “Por que diabos esses imbecis compram o negócio se não vão nem tirar da embalagem e só deixar guardado?”, pensava eu. Evidente que eu tirava da embalagem antes de deixar guardado como colecionável. Não faço ideia de quantos comprei e não usei pra nada, mas pelo menos eu tirava da caixinha, né, pelo amor de deus.

Um dia isso mudou, caras. Não lembro o porquê, mas de repente decidi fazer alguma coisa com meus carrinhos e resolvi me divertir com eles. Aí peguei um e PINTEI usando um esmalte que peguei da minha mãe.

E ficou uma merda.

Ruim, muito ruim. Ficou muito mal feito, todo borrado e esquisito. Mas achei algo tão legal de fazer (pensei “porra, é isso aí, finalmente tô usando o brinquedo pra brincar”) que decidi fazer com meus outros carrinhos também, então peguei vários e reformei usando esmalte e palito de dentes. Altas pinturas personalizadas.

Eis que no outro dia resolvo levar meus carrinhos recém-reformados pra aula e mostrar pros meus amigos. Faço isso, e pra minha completa surpresa, surge um clima de “wow, que daora, faz no meu também”. Vê? Criança não tem a menor noção das coisas: fiz um negócio ridiculamente mal feito, literalmente estraguei meus carrinhos, e o que aconteceu foi que os outros moleques queriam que eu estragasse os deles também.

Acabei levando alguns carrinhos pra casa e passando a noite trabalhando nas obras de arte. Ficaram todos muito ruins. Muito mesmo. Lembro que eu sempre tentava desenhar umas chamas nas laterais dos carrinhos pra eles ficarem mais ou menos assim:

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Mas a qualidade do trabalho era tão ruim que qualquer coisa que eu fazia ficava mais parecida com isso:

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Ou seja, horrível mesmo.

E, bem, sei lá quantos brinquedos dos meus amigos eu consegui estragar nessa onda de ser mecânico de carrinho da Hot Wheels, mas os caras achavam tão legal que me davam um real por cada. Sério.

O resumo da ópera é que cabeça de criança não funciona muito bem, que eu estraguei meus carrinhos e os carrinhos dos meus amigos de R$ 4,99 pra ganhar R$ 1,00 por cada e que achava isso sensacional.

Vale concluir que isso não durou muito, em pouco tempo eu me arrependi de ter feito aquilo com meus brinquedos e simplesmente voltei a comprar e guardar sem fazer mais nada, eventualmente parei de comprar. Não faço ideia do que aconteceu com todos aqueles que eu tinha, mas depois de tantos anos ainda sobraram oito que guardo (apesar do estado lamentável):

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Fui o pior vendedor de DIM-DIM do mundo

Antes dos dez anos de idade, a coisa com a qual eu mais gastava minha grana era videogame. Qualquer trocado que eu conseguia era imediatamente torrado em uma ou duas horas numa Lan House de computadores e PS1/2. Naturalmente, esse dinheiro vinha sempre do meu pai, da minha mãe, de algum tio ou qualquer coisa do tipo, mas um dia me surgiu uma ideia que poderia me livrar dessa dependência familiar: vender dim-dim. Eu sei que o nome muda em cada lugar do país, mas estou falando disso:

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Empreendimento milionário, como pode imaginar.

Comprei lá o material necessário pra fabricar o produto. Paguei R$ 2,50 no dim-dim em sí, se me lembro bem. Fora isso, arrumei uma caixa de isopor, preparei tudo e fui no lavador de carros/bar ao lado da minha casa vender o tal dim-dim para as centenas de pessoas que passavam por lá diariamente.

O primeiro dia foi um sucesso e não ocorreu nenhum problema. O complicado, mesmo, foi no segundo dia… Cheguei lá no lavador, já conhecido como “O menino que vende dim-dim” e tentei fazer meu negócio. O fato marcante desse dia é que um dos senhores comprou TODOS os dim-dims. Estava no local para vender meu produto e conseguir dinheiro, mas um velho me pagou e levou todos de uma vez só!

Logicamente, eu comecei a chorar e corri para o meio do matagal que ficava do outro lado da minha casa. Fiquei escondido lá por uns bons quarenta minutos, engasgando no choro. Lembro que até ouvia várias pessoas me procurando, gritando meu nome e tudo mais, quando meu pai saiu derrubando aqueles matos na base do chute e me achou lá no meio, chorando. Todo mundo me perguntando porque eu estava daquele jeito, qual era o grande problema em ter vendido todos os dim-dims de uma vez só…

Pra mim a resposta parecia óbvia, mas aparentemente só pra mim, mesmo. Como será que aquele pessoal não notou que se o senhor comprou tudo que eu tinha, eu consequentemente fiquei sem mais nada pra vender?