Nota

Fiz uma cirurgia e foi MUITO LOUCO

Ao contrário dessa galera de hoje, coloquei aparelho contra minha vontade e foi horrível. Nasci com as presas mais ou menos assim:

itazura dramas (4)

Aí naturalmente tive que usar aquele aparelho dentário pra corrigir. Hoje em dia sou estilo piano, apesar de ter usado o negócio por dois anos e tirado antes da hora (não aguentava mais e enchi o saco do pessoal até tirarem, mesmo com o dentista falando com absoluta certeza que meus dentes voltariam pro lugar errado e todo o tratamento teria sido em vão – ele se enganou e tá tudo certo até hoje).

Mas o ponto mais interessante dessa história toda foi o momento pré-aparelho. Antes de colocar, você tem que fazer vários exames, até pra tirarem moldes da sua boca etc e tal. Só que em um desses exames descobriram que eu tinha um dente dentro da gengiva, mas ele estava pequeno e se crescesse ia trazer complicações grandes, portanto resolveram marcar uma cirurgia simples de remoção.

Num primeiro momento eu fiquei MUITO excitado com a ideia de fazer uma cirurgia. Eu seria o único da minha idade a ter feito algo do tipo (dentro do grupinho que eu conhecia, lógico), ia ser uma puta experiência. O problema é que eu só fiquei excitado até ver o médico que ia me operar.

Mano, o cara tinha uns trinta metros de altura, falava tudo errado, fedia, sei lá. Cara bizarro, na hora achei que ele ia me operar no estilo “não faço a menor ideia do que tô fazendo” e no fim das contas eu ia morrer. Lembro que chorei muito, tentei resistir o máximo possível, tentei correr, tentei fazer pirraça… me fizeram inalar um gás e me colocaram todo calmão na cama.

ESSE GÁS. Esse gás foi o segundo melhor momento da cirurgia, porque com ele eu não estava dormindo e nem estava acordado, eu só estava extremamente relaxado, tanto que conseguia ouvir perfeitamente as pessoas ao meu redor e até ver os médicos fazendo as coisas por lá, mas ao mesmo tempo eu tinha umas alucinações sinistras. Lembro de, na minha cabeça, estar em um lugar todo escuro com um lago muito grande, correndo pra todos os lados e vendo alguns personagens de desenhos animados que assistia. Depois da cirurgia minha mãe ficou falando que aquelas sensações eram as mesmas de quando alguém fuma, e, por isso, eu não devia fumar.

Só que, pra mim, o melhor momento foi quando eu VOMITEI. Eu vomitei enquanto extraiam um dente de dentro da minha gengiva. É tipo a mulher cagar enquanto faz anal com o marido, sabe?

Foi legal porque uma enfermeira teve que limpar a cadeira vomitada e eu vi o ódio nos olhos dela. Foi legal porque o médico teve que tirar arroz do buraco que ele abriu na minha gengiva. Foi legal porque ele disse “Tem mais?” e eu respondi “Tem! BLARRRGGHH”. Foi legal demais esse dia.

No Pré II, caguei nas calças pra me vingar da professora

– Posso ir no banheiro, fêssora?

– Não. Aguenta aí.

Esse diálogo marcou o início de uma vingança extremamente fria e plena.

Ao decorrer da minha curta (porém cabulosa) vida, eu fui obrigado a planejar e executar inúmeras vinganças, mas essa em especial é uma das que mais sinto orgulho, principalmente pelo fato de eu ser apenas uma criança de, se me lembro bem, cinco anos, ou seja, extremamente incapaz e inocente.

No Pré II o aluno tem basicamente duas tarefas: dormir e desenhar. Eventualmente, entre uma e outra ele precisa se aliviar, seja fazendo número um ou número dois. Nesse dia eu estava MUITO apertado para fazer número um, popularmente conhecido como XIXI. Eis que durante a aula eu peço permissão à professora para ir tirar a água do joelho no banheiro e ela me nega tal privilégio. Ela só não contava com minha crueldade e meu sangue frio…

Esperei dar a hora do recreio, que é o momento em que eu estaria livre para cagar e mijar sem ter que pedir permissão. Bateu um pensamento rápido e de última hora tomei a decisão de ao invés de ir no banheiro me aliviar, fazer ali na sala mesmo, só pra professora entender que quando eu digo que preciso de algo é porque eu preciso realmente. O problema maior é que ao invés de fazer xixi nas calças, que é o que eu havia pedido, eu me caguei completamente. Tipo, me caguei mesmo. E me caguei na sala de aula. Fiquei lá, paradão na frente da professora antes mesmo dela sair da sala. E todo cagado.

Não contente, eu usei da minha condição de criança de cinco anos para me mostrar incapaz de me limpar sozinho. Na verdade eu era completamente capaz de me limpar por conta própria, mas só para efeitos vingativos eu fiquei completamente sem reação, OBRIGANDO A PROFESSORA A ME LIMPAR.

Resumo: a TIA não deixou eu ir no banheiro e teve que limpar o meu cocô.