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Analisando a vergonha que sinto de velhos textos: A Flauta de Romeu

Olá, ohayou!

Então, eu ando constantemente estudando e refletindo sobre estrutura narrativa e todas as outras coisas envolvidas em contar histórias. Some isso ao fato de eu escrever diariamente e o resultado é que eu mudo muito entre um texto e outro. Por um lado eu fico satisfeito de ter postado tudo aqui  desde o início porque assim posso comparar e ver como minhas ideias e capacidades mudaram, mas cada vez que eu escrevo um texto passo a ter infinita vergonha de tudo o que escrevi antes. No momento que escrevo isso, estou bem satisfeito com A Máquina Voadora do Sr. Heru e acho todos os meus outros textos anteriores a esse bostosos e desprezíveis – e isso acontece sempre. A cada novo texto fico com vontade de deletar todos os outros de tão ruim que eles me parecem, mas pelos santificados apêndices macarrônicos! Quão cruel isso seria? Penso que seria um grande machucado ao processo de evolução pelo qual passamos, e me agrada a ideia de ter todo ele registrado intacto aqui, seja vergonhoso como é.

Essa semana decidi recontar alguma história que já tinha contado em algum texto por aqui e comparar os resultados. Escolhi A Flauta de Romeu e sentei pra escrever, olhei pra tela branca e comecei a pensar na história pra saber como estruturar a contagem dela e tudo o mais. Quando, AH, OH, VEJA SÓ! Refleti até meu cérebro secar e ainda assim não consegui pensar em como contar essa história de uma forma que me deixasse satisfeito. Tomei uma decisão no fim das contas: ao invés de recontar essas histórias que já postei aqui em algum texto (e eu planejava fazer isso constantemente com todos os outros), vou simplesmente analisar eles e tentar descobrir quais são os motivos que me causam essa vergonha. Pensar em formas de melhorar eles, pensar nas coisas que eu faria diferente. Tenho esperança que essas análises sejam tão efetivas quanto uma reescrita completa.

Então, A Flauta de Romeu. Um resumo dos acontecimentos relevantes para que não seja preciso reler aquela obra terrível, pois até esse resumo me causa vergonha: a história conta sobre um garoto chamado Romeu que vive em uma vila onde todos os moradores são magos, e eles exercem a magia através de uma flauta; a flauta é entregue costumeiramente por um certo ritual no qual um velho chamado Babel passa uma missão diferente para cada garoto e quem concluir consegue a flauta; o tal Romeu é mandado ficar três dias em silêncio num quarto; ele obedece, mas mesmo depois de quatorze dias em silêncio o velho não aparece com a flauta; ele finalmente resolve sair do quarto, e do lado de fora encontra o velho Babel, que diz que ele não precisa de mais de flauta pra ser mago; Romeu responde que já sabia disso.

1. Sobre começo, meio e fim

Em outras palavras, Romeu entra num quarto ansioso pela flauta para poder usar a magia e depois de duas semanas refletindo ele sai do quarto capaz de fazer mágica mesmo sem a flauta. Essa é uma história que tem como tema central a mudança interna pela qual o protagonista passa. Como foi notado por muitos estudiosos do assunto, histórias de forma geral são sobre mudanças, mesmo que mudanças em aspectos muito pequenos: os protagonistas começam de uma forma e terminam de outra, e se não fosse assim dificilmente haveria algo para ser relatado. A maioria das histórias escolhe um valor específico, como a amizade, a confiança, o amor, a coragem etc, e trabalha na mudança em cima dele: no começo da história se estabelece o valor como sendo de um jeito e então passamos todo o meio da história acompanhando o valor se alterar até o vermos diferente no final.

Portanto, três coisas envolvidas em narrar uma mudança: como algo era (começo), o que aconteceu que fez algo deixar de ser da maneira que era (meio), qual é o novo estado desse algo depois dessa mudança (fim). Esse meu texto tem problemas seríssimos nas três. E imagina só o embaralho que é quando há problema em apenas uma? Quer dizer, narrar uma mudança sem deixar claro como algo era? Narrar uma mudança sem deixar algo como algo mudou? Narrar uma mudança sem deixar claro para qual estado algo está mudando? Então, cá estamos nós com os três problemas reunidos em um texto só.

No início o texto tem a missão de estabelecer o que diabo estará sofrendo a mudança (se é o protagonista, se é o mundo no qual ele vive, se é uma de suas crenças, se é um aspecto de seu caráter etc), e deixar claro acima de qualquer dúvida qual é o estado das coisas (por exemplo, se a história é sobre o protagonista deixando de ser arrogante é preciso deixar indubitavelmente claro em primeiro lugar que ele é arrogante, senão a coisa passa despercebida e perde o sentido). Falta isso. O garoto Romeu passa por uma imensa mudança interna ao longo do texto, e sem um começo que o apresente e que estabeleça como ele é isso se perde completamente. O mais perto que se chega disso é esse trecho:

Babel se deu conta de algo que presenciava pela primeira vez: a fraqueza do jovem estava no diálogo em si. Ele demonstrava excessivo interesse, e fazia muitas perguntas sobre a Magia, sobre as flautas e como elas funcionavam. O jovem Romeu não consegue utilizar a Magia porque tem ganância e desejo de conhecê-la, pensou o velho Babel.

Até certo ponto essa parte deixa claro qual aspecto do protagonista será mudado no decorrer da história, mas a forma como essa informação é dada é patética. Eis aqui uma demonstração do famoso show, don’t tell, ou seja, mostre ao invés de contar. Mostre o personagem sendo ganancioso e desejoso de conhecer os segredos da magia ao invés de simplesmente contar que ele é assim. É extremamente necessário para essa história que seu início estabeleça o personagem como sendo ganancioso pela magia, e nesse caso específico isso seria feito de uma forma muito efetiva através de seus atos e suas decisões, não de maneira descritiva através do narrador. Da forma que foi feito o leitor dá pouca credibilidade à essa informação.

(Como nota, contar ao invés de mostrar funciona muito bem em algumas (muitas) situações. Funciona muito bem quando há um narrador claro ou diretamente envolvido na história de alguma forma, por exemplo. Em algum momento desse texto eu vou citar O Senhor dos Anéis e O Hobbit, e J. R. R. Tolkien fazia com perfeição essa coisa de contar ao invés de mostrar, e contos de fada de forma geral trabalham muito bem com isso.)

Penso que essa história seria muito melhor contada em um texto longo, um romance, um livro. Poderíamos acompanhar Romeu durante muitos e muitos dias e vê-lo fazendo muitas e muitas coisas, de modo que quando quando Babel falasse “Romeu, fique em silêncio e receberá sua flauta” o leitor pensaria “ah, faz sentido! É isso o que precisa mudar nele para que ele alcance o seu objetivo [de conseguir a flauta]”, e criar esses momentos em que o leitor entende as coisas por conta própria é algo que particularmente me interessa dentro de um texto. Teria sido muito melhor ter contado essa história de forma que o leitor percebesse que Romeu “é muito desejante pela magia” ao invés de simplesmente contar isso.

De qualquer forma, o mesmo problema acontece em relação ao meio: a narração explana sobre os vários dias em que Romeu ficou em silêncio trancado no quarto, pensando gananciosamente sobre sua flauta; depois conta-se que ele levantou e saiu do quarto já sem essa ganância. Também falta uma parte. Falta a parte em que se narra ele deixando de ser como era e passando a ser de outra forma, o momento exato em que a mudança acontece. O momento em que a chave vira (e evidentemente os momentos anteriores em que alguém se levanta e caminha até o interruptor pra virar a chave). Esse momento costuma ser a parte da história mais explorada em textos curtos como os que publico aqui, e ainda assim eu o ignorei completamente nesse conto.

Depois de narrar mal o começo da história, o narrador pula diretamente para o final. E no fim também há problemas. Arístóteles define o acontecimento final de uma história como sendo “aquele depois do qual nenhum outro se sucede”, e essa definição é brilhante em vários níveis. Pensa no raciocínio por trás dela: se algum acontecimento se sucedesse depois, não seria o fim mas ainda o meio. Isso expõe outro problema do texto pois o final dele é narrado assim:

Romeu estava pronto pra continuar andando e deixar a casa quando o velho Babel se pôs de pé da cadeira. Ele levantou uma das mãos e disse as palavras que encerrariam aquele ritual:
– Romeu, eu não lhe fiz nenhuma flauta. Você não precisa de uma.

Romeu seguiu seu caminho, e entre um passo e outro apenas respondeu:

– Eu sei.

Evidentemente muitas coisas acontecem depois desse acontecimento. Como nenhuma delas é contada esse momento pode ser facilmente chamado de falso final. Há ainda o problema de que como o algo que seria mudado não ficou claro, o leitor não consegue perceber o momento da história em que esse algo está mudado (ou seja o final). E esse próprio momento também falta, falta estabelecer a mudança: o narrador conta que Romeu mudou (reitero que de forma ruim: se mudou, mudou de quê para quê?), mas não mostra. Novamente poderíamos acompanhar o garoto por muitos e muitos dias, fazendo muitas e muitas coisas de modo que o leitor ficaria pensando “é, o Romeu que precisava da flauta não existe mais. Ele agora é outro, ele mudou tanto que não precisa mais dela, é verdade”.

Esses problemas com o começo, o meio e o fim podem ser sintetizados dizendo que a história é contada de forma muito rápida, de modo que não há tempo para se captar nenhum dos elementos indispensáveis para seu bom aproveitamento. Não bastasse isso, há muitas coisas com a gramática que me deixam profundamente incomodados: o excesso de vírgulas, verbos conjugados incorretamente na segunda pessoa, tempos verbais misturados, os diálogos marcados com travessão ao invés de aspas, muitos pronomes oblíquos ao invés de simples e por aí vai.

Reescrevendo o texto agora eu certamente corrigiria esses problemas com a língua, mas isso não faria a coisa toda ficar melhor: a história em si é tão má-estruturada que as palavras usadas para contá-la é quase irrelevante. A história é sobre uma mudança (o que é bom), mas contar essa mudança exige um começo, um meio e um fim que eu só consigo imaginar melhorado em um texto bem mais extenso. Pra melhorar isso, só consigo pensar em algo extenso demais pro formato de conto. Por outro lado, a mudança na qual a história se baseia não é o tipo que eu acho interessante a ponto de escrever todo um livro em torno dela. Então meh!

O protagonista quer tanto algo que o mero fato de querer o impede de conseguir. Lembro de O Senhor dos Anéis onde acontece algo semelhante: quando os personagens estão levando O Um Anel para ser destruído no Mount Doom, Boromir quer tanto ver o mundo livre dos perigos do Anel que ele se pergunta “não seria melhor se nós ficássemos com ele e os escondêssemos das mãos do inimigo?”. Eu consigo enxergar esse tipo de dilema se dando muito bem com o Cinema, ou sendo aproveitado como parte de uma história muito maior, mas eu não escreveria duzentas páginas em torno só disso.

Muita gente escreve e escreve bem sobre esse tipo de mudança interna, mas meu interesse está muito mais nos acontecimentos que cercam e causam elas. Está aí o que mais me incomoda nessa história: ela é pequena demais pra abraçar esses acontecimentos, e desinteressante demais pra gerar uma obra maior capaz de corrigir esse problema. :(

 2. Os acontecimentos

A história narrada ocupa um espaço de 14 dias nos quais Romeu passa refletindo num quarto branco em silêncio.

Quando olhei pro texto e reparei nisso logo me perguntei: por que diabos eu me propus a contar uma história na qual nada acontece? Agora isso não me parece nem um pouco interessante. Se alguém me disser “senta aí, vou te contar uma história sobre um jovem que fica 14 dias em silêncio num quarto e sai de lá diferente” eu provavelmente me levantarei e irei embora porque não consigo ver nada interessante nessa premissa.

Por outro lado isso é feito muito bem por Graciliano Ramos (em Memórias do Cárcere, por exemplo) e por Charles Bukowski (em Misto Quente ou Factotum, por exemplo), em que o narrador passa páginas e páginas falando sobre uma única ação. São páginas e páginas sobre sentar em uma cadeira, ou páginas e páginas sobre abrir uma geladeira, ou sobre entrar em um carro etc. Nesses casos, a ação começa no primeiro parágrafo e termina em outro, com muitos parágrafos entre esses dois nos quais nós ficamos vagando pelos pensamentos dos personagens. E tanto Memórias quanto Factotum são bons demais justamente por causa disso.

Novamente, hoje não tenho interesse em escrever esse tipo de texto no qual o foco da narrativa está no que se passa internamente nos personagens. De qualquer forma, A Flauta de Romeu é sobre isso, e se nele faz falta a narração dos acontecimentos, também é falha a narração do que se passa no interior dos personagens. Na prática há uma relação entre o que se passa fora dos personagens e o que se passa dentro deles, de modo que pra fazer um de forma interessante também é preciso lidar bem com o outro.

Mesmo com a certeza de ter realizado o dever, Romeu temeu cometer uma atitude desengonçada e arriscar perder sua flauta por causa dela. Ah, se quebrar o voto de silêncio no quinto dia e o velho resolver que isso seria uma boa razão para negar a flauta, pensou Romeu, ficaria sem a Magia… Passou o sexto e o sétimo ponderando da mesma maneira, mas no oitavo dia resolveu se levantar: não falou nada, e nem abriu a porta, mas caminhou pelo quarto enquanto pensava consigo a razão da demora.
– Como poderia estar ficando minha flauta?

Nesse trecho, por exemplo. Apenas um parágrafo para narrar o que se passou no interior do personagem durante sete dias. É muito pouco. Não que inserir mais palavras fossem fazer isso ficar melhor, mas certamente se a proposta do texto era focar nisso, então que focasse. O resultado acabou ficando meio indeciso: nem um texto focado no mundo exterior do personagem, nem um texto focado no mundo interior dele.

Mas mesmo exatamente da forma que está e sem nenhuma alteração o trecho no qual o pensamento do personagem é diretamente transcrito poderia ter sido muito bom se o leitor estivesse intimamente interessado nesses tais pensamentos. É o que fazem os dois autores que citei: quando eles começam a falar sobre o que se passa na mente do personagem, o leitor já tá tão preso na história e no protagonista que a coisa toda fica interessante. Nesses casos, esses momentos interiores acontecem depois do protagonista ter sido apropriadamente apresentado, algo que também foi feito muito mal nesse texto.

3. Apresentação do protagonista

A história é sobre Romeu, e mais importantemente sobre as mudanças internas de Romeu. Então no fim das contas quem é Romeu?

No caso de um conto/texto curto como esse o ideal é transmitir apenas as informações necessárias pra um bom entendimento da história. Em Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, o começo da história apresenta a personagem dizendo apenas que ela era uma garota que usava um chapeuzinho vermelho e vivia com sua mãe na beirada de uma floresta. E só, e funciona porque isso é tudo o que se precisa saber pra entender bem a história.

O início de O Hobbit é uma das coisas mais lindas que já li justamente por causa disso. A primeira frase do livro é “numa toca no chão vivia um hobbit” (minha primeira-frase-de-um-livro favorita, diga-se de passagem), e depois dela vem uma descrição detalhada da tal toca e do tal hobbit (de nome Bilbo Bolseiro). Só depois de uma explicação essencial sobre o protagonista e o mundo no qual ele vive é que vem os primeiros acontecimentos: o mago Gandalf e treze anões visitam o hobbit em sua toca. Detalhe: o narrador se preocupa em dar as informações necessárias para o entendimento da história que se segue, e as outras informações sobre o personagem vão aparecendo no decorrer do livro conforme ele vai tomando decisões e executando ações. Meu amor por essa obra é tão grande que me sinto na obrigação de citar a passagem na qual Bilbo atira uma pedra e o narrador conta que ele era sabia atirar pedras muito bem:

“na verdade sabia fazer um monte de coisas, além de soprar anéis de fumaça, propor adivinhas e cozinhar, que eu ainda não tive tempo de lhes contar. Não há tempo agora.”

O primeiro parágrafo do meu texto funciona como um tipo de introdução, e nele se diz que Romeu “não queria ser o primeiro a não ter o instrumento que lhe daria a Magia”. Me agrada esse trecho pois ele transfere uma informação necessária para o entendimento da história, mas acho ele insuficiente porque ele não transfere todas as informações que o leitor precisa. Ao longo do texto fica claro que o interesse de Romeu é maior do que isso: ele quer a magia em si. Não querer ser o único a não a ter é apenas parte dos seus desejos. Bem, ficou faltando transmitir o resto. Compreender o que o protagonista quer é fundalmental para que o leitor consiga se engajar na história, e foi um grande erro meu fazer essa narrativa sem deixar claro esses traços do protagonista.

Por último uma pequena nota: além desses problemas com a estrutura da história vale a pena notar a vergonha que sinto da minha escrita nesse texto. Sem contar os problemas com tempo verbal, verbos conjugados errados e tudo o mais que já citei, as palavras que escolhi e a forma que optei por organizar elas dentro das frases fez a coisa toda ficar muito confusa. Muitas linhas precisam ser lidas e relidas várias vezes antes que se possa entender o que elas querem dizer, e essa é minha maior preocupação recentemente: escrever frases simples e que possam ser entendidas facilmente. Esse texto é contrário à isso, por exemplo:

Haveriam de apreciar um chá de hortelã com canela enquanto Babel decidiria a tarefa que Romeu deveria cumprir, e para tomar a mais sábia decisão, certificou-se de aprender os defeitos de Romeu através da conversação.

De qualquer forma, é isso: de agora em diante quando eu sentir vontade de deletar os textos que me causam vergonha vou vir aqui e tentar entender os motivos. Au revoir!

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De repente lembrei de Yu-Gi-Oh! na minha infância

2005, uma terça feira qualquer, manhã. Você provavelmente estava assistindo algum desenho na TV Globinho? Porque se sim, meus parabéns, mas se não, só posso lamenter por sua infância ter sido pior que a minha.

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Hoje eu acordei e me veio a falta de você, TV Globinho.

 

Foi aí onde conheci Dragon Ball, Beyblade, Inuyasha, Digimon, Pokémon, Medabots… enfim, uma porrada de coisas que marcaram meus primeiros dez anos de vida. Acontece que vez ou outra algum desses desenhos acabava sendo mais que algo que via na TV e saía pro mundo real.

Com Yu-Gi-Oh! e suas cartas de duelo foram assim.

Ontem quando voltava da academia dei de cara com uma loja de jogos de carta, tabuleiro, rpg e outras coisas nerds. Fiquei PROFUNDAMENTE EMOCIONADO quando olhei pra placa na entrada e vi isso entre os logotipos dos produtos que vendiam lá:

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Nossa, são tantas emoções, bixo. Na mesma hora tive lembranças de umas coisinhas que aconteceram há uns, sei lá, dez anos, e quero aproveitar pra contar aqui três pequeninos CAUSOS envolvendo Yu-Gi-Oh! na minha infância antes que me esqueça. Mas antes já aproveito pra deixar aqui duas recomendações:

Se você já conhece a série, com certeza vai gostar muito de Yu-Gi-Oh! Duel Generation, jogo que tem versão tanto pra Android (download aqui) quanto pra IOS (download aqui). Cito rapidamente três motivos pra jogar: 1) mecânica que você já conhece, 2) mais de seis mil cartas disponíveis no sistema do jogo 3) dá pra jogar online com a galera 4) é grátis. Você não quer mais que isso, né?

Agora, se não conhece a série original, vai assistir AGORA! Tem no Netflix, e na verdade até no youtube. Destaque: vale MUITO a pena ver dublado. E de quebra aí vai uma breve explicação pros infelizes que não assistiram/jogaram essa maravilha:

Existia esse desenho/anime/mangá que consistia em personagens duelando, mas esses duelos eram feitos usando cartas. Tipo truco, mas cada carta apresentava um monstro com atributos de ataque e defesa, e tinham também as cartas mágicas e armadilhas, que afetavam os seus ou os monstros do inimigo, baseando toda a parte de estratégia do jogo. Acontece que foi um sucesso tão grande que acabaram lançando as tais cartinhas no mundo real, e elas eram mais ou menos assim:

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Pronto. Agora, tá vendo esses três monstrinhos aí de cima? Então, são os chamados Deuses Egípcios, e dentro do jogo são não só fortes pra caramba como também raríssimos de serem encontrados. Em outras palavras, objeto de desejo de todo jogador.

Eu tinha os três.

E troquei com um cara por uns cinco carrinhos de brinquedo estragados.

Não faço ideia de porquê fiz isso, mas fato é que fui duramente criticado por todos os meus primos. “Como assim?! Você tinha os Deuses Egípcios e simplesmente TROCOU?”, e eu “sim, mas por cinco carrinhos, cara…” e eles “mas os carrinhos são todos velhos e fodidos! Você é doido!”. No momento nem me toquei, o arrependimento só foi vir quando comecei a perder duelos que venceria se não tivesse me livrado das cartas raras.

Mas a má fase acabou quando consegui essa belezinha:

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A gloriosa CARTADA FINAL. Basicamente tudo que você precisa fazer é colocar essas cartas em jogo e a partida acaba. Tipo, do nada. Evidente que ficou tão chato que acabamos concordando em parar de usar esses cards apelões.

Outra coisa que me lembro é de ter passado a infância toda tentando possuir o Exódia, mais um deus egípcio poderosíssimo dentro do jogo. A diferença dele para os outros é que o Exódia não consistia de uma carta só, mas de seis: uma carta com a cabeça, outras duas para cada braço, o tronco noutra e mais duas com as pernas.

Com o decorrer dos anos fui acumulando quase todas, só me faltava a perna direita pra completar o Exódia. Eis que surge na escola um garoto vindo dos Estados Unidos e possuidor de altíssimas cartas de Yu-Gi-Oh, e quando fomos compartilhar histórias ele falou “Ei, precisa só da perna direita pra completar? Eu tenho e te dou!”.

Êta momento emocionante.

No outro dia, ele voltou com a carta que me faltava e a felicidade não cabia no meu peito. O resumo da ópera é que cheguei em casa e descobri que a perna que eu não tinha era, na verdade, a esquerda. Ou seja, a partir daquele momento eu tinha o Exódia mas com duas pernas direitas. Como fiquei com vergonha de contar pro cara e perguntar se ele tinha a outra carta pra me dar, então ficou por isso mesmo.

De qualquer forma, mantive todas as minhas cartas até meados de 2013 ou 2014, quando namorava uma garota que era muito fã da série e não possuía carta nenhuma. No meu bom coração de namorado, peguei-a admirando meu baralho velho e como eu mesmo não tocava nele há anos decidi simplesmente DÁ-LO. Uns meses depois terminamos, e ela até tentou me devolver mas eu estava numa onda de “nah, dane-se, pode ficar”, então acabou sendo esse meu último encontro com Yu-Gi-Oh!, mas ó, só lembrança maravilhosa.

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Mais uma vez fui apunhalado nas costas por um backup

Certa feita fui copiar do celular pro computador uma série de arquivos que não poderia perder de jeito nenhum e acabei perdendo todos eles porque o cartão de memória se corrompeu enquanto o backup acontecia. Assim, aprendi uma importante lição: além de fazer a maldita cópia de segurança, vulgo backup, sempre manter mais de uma e em mais de um lugar.

Esse mês aprendi que isso não é o suficiente.

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Seguinte, passei o começo desse ano e parte do ano passado escrevendo textos-reservas pra esse blog. Na minha missão de publicar pelo menos um texto a cada sete dias, tentei deixar alguns textos já escritos pro caso de em alguma semana não conseguir produzir nada.

Quando terminei de me mudar pra Niterói e finalmente pude voltar com o blog, fui lá eu subir o backup pro servidor, e pra minha surpresa os posts que eu havia escrito não estavam lá. Fiz vários testes, tentei subir as outras cópias do backup que mantinha noutros lugares, e nada.

Percebe? Não é que os arquivos backupeados estavam corrompidos, é que eles estavam incompletos. O sistema que fazia a cópia de segurança só copiou metade de tudo, e eu não percebi. O backup estava lá, mas pela metade.

Resultado: perdi uns trinta textos. Trinta. Tê erre í ene tê á. 30.

Fiquei bem triste, tipo assim, tristão.

E estressadão, também.

De qualquer forma, agora esse é meu método de lidar com backups (fica a dica):

  1. Fazer a cópia.
  2. Checar se a cópia foi feita com sucesso. [Novo™]
  3. Fazer cópia das cópias em vários dispositivos diferentes.
  4. Fazer upload em algum site, no momento uso Dropbox pra isso.
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Quando quebrei o dedão do pé por pura estupidez

Só uma lembrança rápida do dia em que eu quebrei o dedão do pé sem boas razões aparentes: correndo e tropeçando. Agora, sabe do que eu corria? Meu padrasto tinha uma filha e, de acordo com o que consigo lembrar, transformar a vida dela num inferno dantesco era uma das grandes ocupações da minha infância.

Estava eu lá, após alguma ação estúpida que não lembro qual, fugindo dela. Ela queria me surrar e eu infelizmente não queria ser surrado, então corria. Corria rindo, aliás, porque consegui deixar ela nervosa suficiente para correr atrás de mim, o que para (quase) irmãos significa o maior nível de nervosismo possível.

Eis que PLAU, saio correndo e deixo o dedão pra trás. Digo, tentei sair correndo mas o dedão ficou paradão lá no chão, preso no espacinho entre uma cerâmica e outra. Não sei se chutei, sei lá, mas logo caí esperneando no chão. Parei de rir na hora, desnecessário dizer. Depois de toda essa estupidez, a lição que fica é: foi karma, sim ou claro?

Aí você pensa, “nossa que merda, quebrou o dedo? Só isso? “, e eu respondo:

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Pois é, parceiro, colocaram gesso até meu joelho! Um dedo, UM ÚNICO MALDITO DEDO. E os enjalecados FODEM MINHA PERNA INTEIRA!

Caí de moto e outras desgraças

Eu não morri. E falando nisso, literalmente acabei de assistir Deus Não Está Morto e achei bem bostão, não recomendo. Mas oi, de qualquer forma.

Seguinte, aconteceram algumas desgraças desde o último post (aparentemente tem um tempinho já, tô meio por fora), e essas desgraças foram desgraças realmente sérias, diga-se de passagem, mas aparentemente algumas pessoas acham elas engraçadas então vou tentar contar na ordem temporal certa o que aconteceu:


1º Desgraça: O backup que me fez perder o conteúdo de um cartão de memória ao invés de salvá-lo

Porra, no dia 13 do mês passado (sim, eu ando anotando as datas dos acontecimentos relevantes da minha vida) eu fui fazer um backup de todas as informações do cartão de memória do meu celular, porque nele tinha um monte de coisa importante e que eu não podia perder de jeito nenhum.

Eu perdi.

Pode parecer inacreditável, mas quando eu coloquei o cartão no computador pra fazer o backup, deu COCÔ e ele corrompeu todo o conteúdo. Tentei usar meus poderes de MAGO DA INFORMÁTICA mas não tinha mais jeito: perdi uma porrada de fotos, vídeos, e principalmente músicas.

Vez em quando eu tenho uma ideiazinha pra uma melodia ou pra uma letra, aí pego o celular e gravo pra não esquecer ou pra poder trabalhar em cima dela mais tarde. Gravo coisas naquele celular desde, sei lá, o começo do ano passado, então tinha coisa PRA CACETE. Perdi tudo, puta que me pariu. Obviamente eu ainda me lembro de umas duas ou três composições de cabeça, mas as outras dezenas eu perdi mesmo.

O que eu poderia ter feito para não perder essas músicas? Backup? Perdi justamente enquanto (e porque) tentava fazer backup. É foda.

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Fui o pior vendedor de DIM-DIM do mundo

Antes dos dez anos de idade, a coisa com a qual eu mais gastava minha grana era videogame. Qualquer trocado que eu conseguia era imediatamente torrado em uma ou duas horas numa Lan House de computadores e PS1/2. Naturalmente, esse dinheiro vinha sempre do meu pai, da minha mãe, de algum tio ou qualquer coisa do tipo, mas um dia me surgiu uma ideia que poderia me livrar dessa dependência familiar: vender dim-dim. Eu sei que o nome muda em cada lugar do país, mas estou falando disso:

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Empreendimento milionário, como pode imaginar.

Comprei lá o material necessário pra fabricar o produto. Paguei R$ 2,50 no dim-dim em sí, se me lembro bem. Fora isso, arrumei uma caixa de isopor, preparei tudo e fui no lavador de carros/bar ao lado da minha casa vender o tal dim-dim para as centenas de pessoas que passavam por lá diariamente.

O primeiro dia foi um sucesso e não ocorreu nenhum problema. O complicado, mesmo, foi no segundo dia… Cheguei lá no lavador, já conhecido como “O menino que vende dim-dim” e tentei fazer meu negócio. O fato marcante desse dia é que um dos senhores comprou TODOS os dim-dims. Estava no local para vender meu produto e conseguir dinheiro, mas um velho me pagou e levou todos de uma vez só!

Logicamente, eu comecei a chorar e corri para o meio do matagal que ficava do outro lado da minha casa. Fiquei escondido lá por uns bons quarenta minutos, engasgando no choro. Lembro que até ouvia várias pessoas me procurando, gritando meu nome e tudo mais, quando meu pai saiu derrubando aqueles matos na base do chute e me achou lá no meio, chorando. Todo mundo me perguntando porque eu estava daquele jeito, qual era o grande problema em ter vendido todos os dim-dims de uma vez só…

Pra mim a resposta parecia óbvia, mas aparentemente só pra mim, mesmo. Como será que aquele pessoal não notou que se o senhor comprou tudo que eu tinha, eu consequentemente fiquei sem mais nada pra vender?