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A Senhorita que veio do mar

Os vento sopravam as velas do navio, e parada na proa a Senhorita Vivian observava as árvores se erguendo atrás da praia. Qualquer homem ao seu lado não teria visto senão um borrão no horizonte atrapalhando a mistura da águas com o céu – mas ah, vejam vocês! Hoje em dia eles contam que as águas eram a sua mãe, e o céu o seu pai! E a Senhorita Vivian olhava e via o que homem nenhum teria visto, e no seu coração ela desejava o que homem nenhum teria desejado, pois ninguém estava no navio além dela, e na sua solidão o navio se movia pela pura vontade do mar.

E então os homens se juntaram na praia e subiram nas árvores, e eles olharam e eles viram, mas não mais que apenas o navio eles enxergaram; quando este deixou de ser um ponto inalcançável nas distâncias e se tornou uma parede de madeira cobrindo toda a visão, só então eles perceberam a Senhorita Vivian. E eles contemplaram! E contemplavam! Os cabelos escuros como as águas durante a noite, o manto branco como as nuvens no céu durante o dia! E no seu esplendor, os olhos que refletiam a pureza do coração! E os homens olhavam, e eles suspiravam – mas eles não conheciam o desejo, não! Eles desceram das árvores, e em seus modos mais primitivos eles se ajoelharam e reverenciaram a Senhorita enviada pelas águas.

Com as cabeças apontadas para o chão, eles fecharam os seus olhos. Nos seus pensamentos mais profundos, os homens tiveram a certeza de que não deveriam olhar para aquela que havia vindo do mar, e, naquele momento, eles enxergaram a Senhorita Vivian apenas com o coração – mas ela! Com os olhos bem abertos, ela viu a essência por trás dos homens. Não árvores, e não animais, e não nada os seus olhos enxergaram além da essência dos homens! Os homens vendo o preto por trás das pálpebras sentiram um olhar caindo sobre eles, e era o olhar da Senhorita Vivian.

Os ventos desceram a Senhorita Vivian do navio, e os homens se levantaram. E o navio – ele se foi! Carregado pelas águas para longe, e depois engolido para as profundezas: ele se foi. Quando os homens sentiram os pés da Senhorita Vivian pisando na terra em que eles viviam, eles abriram os olhos, e mais uma vez eles contemplaram, e então ela sorriu para eles e eles sorriram para ela, e dentro deles a tristeza pela alegria foi iluminada. Eles sorriram para ela, sim; mas groceiro, o sorriso dos homens! Groceiro! Eles ainda não sabiam sorrir. Hoje em dia eles contam que aprenderam com ela, pois naquele momento os seus lábios finos puxaram delicadamente o canto da boca e revelaram não mais que um delicado arco branco. Eles olharam para o sorriso dela, e se envergonharam – nos seus corações o desejo mais profundo nasceu: eles queriam sorrir como a Senhorita Vivian. Eles não queriam sorrir para ela como groceiros! As bochechas dos homens se avermelharam. Eles sentiram vergonha.

E ela, vejam vocês! Ela se sentiu grata, e ela quis agradecer, e ela agradeceu: no fim da sua solidão, a Senhorita Vivian cantou para os homens. Ela cantou a sua gratidão com muitas palavras, mas eles não compreenderam nenhuma delas – eles ainda não sabiam compreender as palavras. Eles apenas ouviram a melodia, e os seus ouvidos se deliciaram com a voz doce ecoando por entre as árvores para dentro da floresta – mas ela! Ela cantou para os homens, e para as águas, e para o céu! E para a floresta ela também cantou! Ela cantou para que os homens não esquecessem, e para que os pássaros imitassem a sua música – e assim foi! Pela primeira vez os pássaros e os homens cantaram a mesma música que a Senhorita Vivian.


Conto escrito para um mini-concurso feito em um grupo de escritores no Whatsapp.

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Acordar hoje me causou uma grande confusão mental

Ainda tô tentando entender o que diabos aconteceu hoje de manhã aqui no meu quarto.

Acordei, olhei pela janela e vi uma menina ali na casa do vizinho, pelada no chão e com uma amiga ao lado tentando ajudar. Curiosamente a amiga ao lado tentando ajudar era mais interessante que a própria menina pelada no chão e chamou mais minha atenção.

Quando me notaram, desviei o rosto e voltei a dormir.

Que caralhos? Até agora não sei se foi um sonho (sonhei que táva dormindo/acordando?), não sei se eu realmente acordei e realmente olhei pela janela mas a parte das amigas foi só mais uma alucinação que tive, ou, no pior dos casos, não sei se isso realmente aconteceu. Sei que quando acordei em definitivo, cheguei a abrir o facebook pra falar com a amiga não-pelada e desisti por achar que era coisa da minha cabeça, mas ainda tô em dúvida. Eu, hein.

Então, fiz uma buceta falsa pra um trabalho de Artes. Mentira, só fingi estar possuído

Bom…

Professora pediu pra sala se separar em grupos. A tarefa era usar coisas já existentes pra criar algo novo, bem como um nome para o produto e a empresa fictícia criadora. Criamos a Bruna, trabalho revolucionário da Bruna’s Corporation, que consiste em um recipiente cilíndrico com duas esponjas envoltas por sacolas devidamente lubrificadas (ver imagem-simulação abaixo). Ah, detalhe pra logo da empresa, que é um B em forma de bunda (ideia minha).

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Coloquei o trecho acima no esquema de citações porque ele já estava escrito desde que terminamos a VAGINA FALSA, inclusive tinha deixado um espaço pra fotos mas acabei esquecendo de tirar, mas a professora faltou bem no dia da apresentação e ficou pra outra semana, aí acabamos decidindo jogar a Bruna no lixo (porque ela ficou apertada demais pro pênis de qualquer integrante do grupo, logo simplesmente NÃO FUNCIONAVA) e aproveitar o tempo pra fazer outra coisa. Surgiu, portanto, a revolucionária ideia do iPadre com o fabuloso Slogan “Por aí não!”.

O iPadre seria, em sua essência, um exorcizador de demônios eletrônico. Bastava apertar umas teclas e o demônio seria expulso do corpo em questão. Foi louco que na hora de apresentar pra galera da sala fizemos uma SIMULAÇÃO DE USO em que eu interpretei uma pessoa possuída pelo Tranca-Rua, que supostamente teria vindo da sala ao lado. Dei uns gritos, me debati um pouco e todo mundo riu bastante. Ok, foi bem legal e tudo mais, mas teria sido muito mais legal apresentar a vagina falsa. Aliás, serei eternamente arrependido por não ter tirado fotos dela pra postar aqui, mas valeu a experiência.

Ah, acho que o último post aqui tem quase um mês e meio. Isso foi por motivos de: foda-se, esqueci da existência desta merda de site escória da internet fracasso social, mas se você sentiu falta da movimentação por aqui, fico triste por você – vá arranjar uma vida, porra. De qualquer forma, ainda vou tentar manter a meta de um post por semana daqui em diante. Agradecido.