Untitled-1

O dia em que me transformei em poste

Semana passada eu voltava da faculdade um pouco mais tarde que o normal, andava pelas ruas fluminenses com o justificável medo de uma tragédia me acontecer, especialmente ali, na passagem de um dia pro outro.

Como forma de precaução, saquei das costas minha mochila, abri o bolso e peguei uma banana. Com ela em mãos, me sentia seguro: não importava o que viesse a acontecer, eu estaria preparado por ter comido minha banana.

Descasquei-a e degustei sapientemente uma primeira mordida, mastigando até que a forma de banana desse lugar à forma de purê-de-banana, e engoli aquela papa. Minha futura mordida, porém, enfrentou meus próprios desejos e adquiriu características platônicas, resolvendo por ficar apenas no campo das ideias e não saindo de lá para eventuais visitas estomacais-reais-tangíveis.

Dada a existência da segunda mordida à banana em um mundo, e a existência da banana em si num outro, a separação, ou melhor, a impossibilidade dessa coexistência de mundos e planos espirituais com não espirituais, se deu de tal forma que fiquei profundamente atônito.

Antes dos meus dentes promoverem o encontro da fruta com a ação, a própria banana decidiu, no seu âmago mais interior, pelo suicídio. Criou num de seus cantos um vórtice com características gravitacionais sensíveis de tal maneira que a banana se partiu ao meio, deixando para trás, num ato de completo desespero, a base do seu corpo que era segurada em minhas mãos junto à casca.

Meus olhos observavam o salto realizado pela metade superior amarelada indo de encontro ao chão ao invés de ao meu músculo linguístico, e se reviraram para trás, me forçando a observar meu próprio cérebro tentar, frustradamente, sair pela orelha esquerda depois de falhar em escorrer pela direita. Espantado com o que vira, a pequena massa acinzentada não dispôs de coragem para realizar suicídio, afinal é muito difícil se matar logo depois de ver alguém, ou uma banana, se matar também; optou por forçar no corpo mudanças hormonais tão severas que este transmutou-se num poste.

Meus pés e braços caíram (foram levados pelos limpadores municipais só nessa semana, aqueles vagabundos!), meu cabelo saiu voando, levou junto minhas orelhas, e com o restante não pude ver o que aconteceu porque os olhos não estavam mais em mim.

Apesar de não mais enxergar, ouvir ou sentir tato, tenho certeza que sou um poste. Anteontem instalaram uma linha telefônica em mim, e penso que tem um ninho de pombas nisso que decidi chamar de meu lado direito. Também me é incógnito saber como cheguei nessas conclusões, mas isso é irrelevante pra um cabriolé como você.

– Dizendo assim, assumi postura de cachorro e corri até o fim da rua. Torci o tronco em sua direção ao passo que me gritou:

Xô!, imundo, desgostoso, ignorante! – o poste sou eu!

blogslideshow4

Acordar hoje me causou uma grande confusão mental

Ainda tô tentando entender o que diabos aconteceu hoje de manhã aqui no meu quarto.

Acordei, olhei pela janela e vi uma menina ali na casa do vizinho, pelada no chão e com uma amiga ao lado tentando ajudar. Curiosamente a amiga ao lado tentando ajudar era mais interessante que a própria menina pelada no chão e chamou mais minha atenção.

Quando me notaram, desviei o rosto e voltei a dormir.

Que caralhos? Até agora não sei se foi um sonho (sonhei que táva dormindo/acordando?), não sei se eu realmente acordei e realmente olhei pela janela mas a parte das amigas foi só mais uma alucinação que tive, ou, no pior dos casos, não sei se isso realmente aconteceu. Sei que quando acordei em definitivo, cheguei a abrir o facebook pra falar com a amiga não-pelada e desisti por achar que era coisa da minha cabeça, mas ainda tô em dúvida. Eu, hein.